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Tonga, um país bastante lento e pacato

"Viagens Soltas", crónicas de Rui Daniel Silva

28/11/2016 | Fonte: www.sapo.cv | SAPO CV

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Rui Daniel Silva | Viagens Soltas: Tonga, um país bastante lento e pacato

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Tonga, um país bastante lento e pacato1 de 8

Comprar álcool em Tonga é bastante difícil e complicado. Os negociantes necessitam de ter uma licença e uma grande parte não a tem. Por isso existe imenso mercado negro e contrabando.


Nos primeiros dias achava estranho o movimento que havia na pousada, principalmente a partir da meia-noite. Imensos nativos encostavam o carro num beco escondido e havia uma estranha troca entre os donos da pousada e os autóctones.


Vendiam bebidas alcoólicas às escondidas. Contudo, os empregados eram bastante simpáticos. Passavam o dia a beber e a fumar, e vibravam com músicas dos anos 80, nomeadamente Bon Jovi e Phil Collins.


Entre alguns mochileiros, tinha passado o dia sobretudo a conversar com um italiano. Ele conhecia um nativo com quem iria jantar e convidou-me para me juntar a eles.


Eram oito horas quando chegou o tal fulano para jantar. O restaurante ficava a cerca de vinte quilómetros, à beira-mar, para onde nos dirigimos no carro do nativo. Uma viagem à partida, bastante rápida. Mas não!


Demorámos cerca de uma hora e não tinha sido pelo trânsito ou mau estado da estrada. O fulano ia apenas a 20km à hora e foi assim o caminho todo.
Em Tonga conduz-se muito devagar, mas ele exagerava. De certeza que este tipo tinha sido alguma lesma ou caracol numa vida passada. Chegávamos lá mais depressa de bicicleta do que com este sujeito.


Apesar de tudo, ele era bastante simpático e atencioso. No restaurante mostrava-nos, todo orgulhoso, fotografias de um animal que tinha apanhado na estrada e comido no dia anterior.


Quando perguntei que animal era, respondeu-me que era um cão. O italiano ficou chocado com tal ato. Perguntei se pelo menos era boa a carne e ele respondeu que era melhor do que frango ou porco.


Após o jantar a aventura em baixa velocidade repetiu-se. A caminho da capital estava a ver que ainda iríamos chegar a tempo de ver o nascer do sol.


Passada uma hora, chegámos finalmente a Nucualofa. O nativo convidou-nos para nos juntarmos a uns amigos e experimentarmos o famoso ritual da Kava, que é uma forte tradição social em toda a Polinésia e Melanésia, onde os homens se juntam à noite para conversarem e beberem uma bebida que é feita de um arbusto e que produz relaxamento físico e mental, e uma sensação de bem-estar.


Apesar de não conter qualquer quantidade de álcool, acaba por embebedar. As mulheres estão estritamente proibidas de frequentar estes lugares.


Quando chegámos, estavam vários homens sentados em círculo a beberem Kava num copo feito a partir de um coco. Havia um balde enorme e retiravam de lá o tal líquido que compartilhavam uns com os outros.


Bebemos três copos de Kava e aquilo sabia um pouco mal. Tinha um ligeiro sabor a pimenta. Olhava para o fulano ao meu lado que tinha ar de quem havia fumado alguma coisa.
 
Alguns riam-se do nada e outros estavam bastante calmos. A verdade é que eles orgulham-se de não arranjarem conflitos e serem calmos, graças a esta bebida.


Para acabar a noite, fomos a uma discoteca. Completamente a barrotar e com uma fila enorme, achava que não nos deixariam entrar. Os seguranças viram que éramos turistas e chamaram-nos imediatamente para entrar.


Todas as raparigas se metiam connosco, fossem novas ou não. Outra coisa que não estava nada à espera, eram os homens que me perguntavam sempre o mesmo. Se eu queria alguma mulher.


Para além de eu não querer ninguém e querer apenas beber um copo e apreciar o ambiente, elas eram bastante gordas. Aliás uma grande parte dos nativos de Tonga, sejam homens ou mulheres, são enormes e obesos. Sentia-me completamente um David perante tantos Golias.


No meio de toda aquela confusão, entre alguns empurrões para chegarem ao balcão, sentia que, se em algum momento alguns daqueles grandalhões me pisassem, não me iriam pedir desculpa, mas dizer: descansa em paz!
 

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