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Viagens Soltas | Índia: Cidade de Jaipur

Uma crónica de Rui Daniel Silva.

21/07/2017 | Fonte: Texto cedido por Rui Daniel Silva

Rui Daniel Silva | Cidade de Jaipur

Após um desentendimento e algumas atitudes iníquas por parte do nosso guia, decidimos visitar a cidade de Jaipur por nossa conta.

Abandonados no meio de um frenético caos, resolvemos comprar um mapa e explorar os pontos mais turísticos. Como todas as grandes cidades na Índia, os imensos palácios luxuosos espalha-dos um pouco por todo o lado contrastavam com uma pobreza extrema.

Em pleno dia viam-se imensas pessoas a dormir na berma das estradas. Alguns autóctones fita-vam-nos com espanto.

Parar para descansar um pouco era quase uma missão impossível. Havia sempre alguém que nos abordava com o intuito de serem nossos guias e ganhar algum dinheiro. Atravessar as estra-das era uma loucura total.

Uma confusão de gentes e tuk-tuks transbordava por todos os cantos. O caos em carne e osso diante dos nossos olhos. Os mercados e os fortes cheiros a especiarias marcavam presença em cada rua e viela.

Impressionantes eram as casas, todas caiadas de rosa; por isso, Jaipur é conhecida como cidade rosa, pois no século XIX fora ordenado por um marajá que toda a cidade fosse pintada dessa mesma cor. Um dos palácios mais conhecidos é o Hawa Mahal, que na língua hindu significa “ palácio dos ventos”.

Uma das características que salta imediatamente à vista são as inúmeras janelas do palácio. Ou-trora, esta mansão, com quase mil janelas, tinha sido construída para que as mulheres da família do marajá pudessem observar a cidade sem serem avistadas pelo povo. Bem perto deste magni-fico palácio, a incessante e repetida interpelação por parte de alguns autóctones, com o objetivo de serem nossos guias, não me agradava nada. Um “não”, mesmo com amabilidade e simpatia, era sempre mal interpretado.

Os sorrisos aliciantes transformavam-se em atitudes incompreensivelmente bruscas, quase arro-gantes. Lembrei-me, então, de fazer de conta que não falava inglês e respondia sempre em por-tuguês até eles desistirem. E até resultava!

Algo que é muito comum na Índia é ver os rapazes de mão dada ou abraçados. Este simples ges-to apenas significa amizade e nada mais. Interessante!

Pode parecer estranho, mas dificilmente se viam turistas na Índia. Quando encontrámos os pri-meiros, ficámos também a saber que havia um McDonald´s na cidade. Que excitação!

Creio ter sido a primeira vez que fiquei feliz pela existência de um McDonald´s, porque após al-guns dias poderia comer finalmente algo que não fosse picante. Escusado será dizer que mais uma vez fui aos arames com estes nativos. No McDonald,s pedi uma refeição que custava no-venta e nove rúpias. No final, pediram-me muito mais dinheiro.

Todas estas situações incongruentes e de alguma falta de honestidade desiludiam-me. Após o almoço decidimos ir a pé até ao Hotel. Apesar de estarmos um pouco desorientados e perdidos, acabámos por encontrar os nossos aposentos.

Esta viagem foi bastante aniquiladora para os nossos olhos. Lugares feios, hediondos, com bas-tante lixo e pessoas a dormir nas ruas, em pleno raiar do dia, em cima de um simples cartão ou em pleno alcatrão.

A cada beco estas situações injucundas discrepavam com toda a riqueza imponente dos palácios que visitámos. Entre o inferno e o paraíso, a verdade é que em toda a Índia encontramos estes dois polos que marcam a vida deste povo: a magnificência de palácios e palacetes e a miséria de uma população pobre, esquecida no meio da imensidão e do caos frenético das cidades.


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