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“Nos boca, nos cultura”

Gastronomia crioula

02/05/2013 | Fonte: © www.sapo.cv | Cristina Morais

A gastronomia local de um país é parte integrante da sua cultura. Os pratos típicos, os alimentos regionais caracterizam um povo e o seu quotidiano. Pois claro, que nem todos comemos o mesmo, mas há hábitos que nos unem à mesa. Afinal nós somos o que comemos.

A primeira refeição
Já dizia o ditado: “de manhã come como um rei (…)”. Colocando em prática este ditado um bom cabo-verdiano não dispensa pela manhã uma cachupa refogada com ovo e linguiça e uma caneca de café com leite, ainda por cima se for fim-de-semana ou depois de uma boa parodia. O pão é outro elemento sempre presente só com manteiga ou com um ovo ou, quem sabe, até sem nada. Um cuscuz com queijo também é uma iguaria típica.

Fora de casa
Se há coisa que um bom crioulo não dispensa é comer na rua. As vendedeiras ambulantes andam de balaio à cabeça a vender de tudo um pouco: pasteis, rissóis, fresquinhas, “torresmas”, carne assada. Muitos estudantes dos liceus lancham fora dos estabelecimentos à base destes petiscos nem sempre os mais saudáveis.

A bendita fruta
A fruta é outro elemento que faz parte do cardápio. A banana rica em ferro é quase presente em cima da mesa crioula. A papaia e manga, que é sazonal, são muito apreciadas por estas paragens. É frequente fazerem-se sumos e batidos com as frutas. Há também a calabaceira, azedinha e a tambarina. Na ilha do Fogo é produzida uva típica.

O senhor frango
É barato e rápido de se fazer. O frango e a galinha são presença obrigatória no cardápio nacional. Feitos de várias formas e feitos, há quem prefira “corado” (frito), na brasa (churrasco), na canja, estufado com legumes ou com arroz.

O feijão de eleição
Rico em ferro e fonte de energia, o feijão é um ingrediente que não falta no prato de um bom cabo-verdiano. Feijão pedra, fava, congo verde, feijão preto, sapatinha, “bongolon” enfim é feijão que nunca mais acaba. Este produto é cultivado localmente, mas também chega já seco de outras paragens. A acompanhar o feijão – um bom arroz branco, claro.

O nosso peixe
Rodeado pelo mar, o arquipélago é rico em variedade de peixe. O atum, a cavalinha, a garoupa, o goraz entre tantos outros. Há quem prefira frita-lo, fazer panado, cozinha-lo com legumes, mas nada como um bom caldo de peixe à moda da terra.

O milho
Ingrediente base na gastronomia nacional, o milho é consumido de várias formas. Assado, cozido, triturado em forma de farinha. Serve para fazer cuscuz, pasteis, xerém, papa, ingrediente base da cachupa, é usado igualmente como acompanhamento. Em Cabo Verde produzem-se actualmente toneladas deste cereal.

Os doces
Se há coisa que o crioulo gosta é de "kuzas doci" (coisas doces). Doces variados feitos de mancarra (amendoim), leite, papaia, coco, etc. Pudins também de leite, de coco, de queijo de café. Bolos com ingredientes como banana, laranja, enfim. Os “donetes” fritos com açúcar ou calda por cima. Ou um simples cuscuz com mel não falta principalmente em dia de festa grande.

Os fritos
Apesar do seu consumo em excesso favorecer o aumento do colesterol, entre outros aspectos negativos, o óleo é consumido bastante em Cabo Verde, na confecção de alimentos. O crioulo adora um bom pastel, mandioca ou batata frita. A "torresma" também um petisco rico em gordura. Outros alimentos como o frango e o peixe são consumidos, muitas vezes, fritos.

Os grelhados
Qual o cabo-verdiano que não gosta de um peixinho grelhado, uma barriga de atum, por exemplo? O peixe é cada vez mais feito desta forma a nível local, principalmente em restaurantes que servem também para turistas. A carne de vaca grelhada também é consumida por estas paragens.

Os legumes e verduras
Quando há chuva, a terra cobre-se de verde e oferece o sustento para as pessoas que dela vivem. Os legumes e vegetais compõem o cardápio nacional. Se há chuva são consumidos com maior frequência, se não chove a produção é escassa e só minorias conseguem comprar. O tomate, a abóbora, a cenoura, a batata, a cebola, a mandioca, entre outros são ingredientes que raramente faltam à mesa crioula.

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