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Ecoturismo

Observar as tartarugas a desovar, a nidificar e acompanhar a caminhada das crias até ao mar requer paciência mas é um momento de rara beleza.

28/08/2009 | Fonte: Por Rita Vaz da Silva

Fotos: SOS Tartarugas

Quer acrescentar um momento inesquecível às suas férias no Sal ou na Boa Vista? Então, contacte uma instituição autorizada para a observação das tartarugas (não vá por sua conta e risco), abdique de umas horas de sono ou de uma noitada na discoteca e vá, ao início da noite, para uma praia.

Inspire o ar puro, absorva os sons que vêm do mar, relaxe e prepare-se, se tiver sorte, para assistir a um dos eventos mais espectaculares que a natureza pode oferecer: a desova das tartarugas marinhas.

Muito lentamente, a tartaruga sai do mar, avança pela praia, procura um lugar ideal, e com as nadadeiras anteriores cava um buraco. Tudo acontece num ritmo vagaroso, mas para quem observa o momento é de muita emoção. A tartaruga põe cerca de 80 a 100 ovos (parecidos com bolas de pingue-pongue) no ninho e depois tapa-o com as quatro nadadeiras, arrastando a areia num movimento que parece uma dança. Por fim, abana o corpo na areia para esconder os seus traços e arrasta-se de novo para o mar.

Vagarosas e indefesas, as tartarugas marinhas continuam a procurar as praias de Cabo Verde, embora a cultura local esteja na origem de verdadeiras chacinas. A carne deste animal marinho ainda é muito apreciada no arquipélago e uma tartaruga, adquirida clandestinamente, pode custar cerca de 20 contos.

Felizmente, nos últimos anos, as campanhas de sensibilização e as patrulhas nas praias parecem estar a resultar e a captura, proibida por lei, tem diminuído.

A desova e o eclodir dos ovos, aquele momento em que as tartaruguinhas saem quase por milagre da areia e correm para o mar, onde vão viver a maior parte da sua vida, são eventos que devem ser desfrutados por todos.

Cabo Verde é um dos poucos locais do mundo onde se pode ver este fenómeno natural, tão simplesmente como se assiste a um pôr-do-sol à beira mar, mas até quando?

Pelo arquipélago, passam cinco das sete espécies de tartarugas marinhas que existem no mundo (as cinco estão na Lista Vermelha e ameaçadas de extinção). A Caretta caretta é a espécie que se reproduz mais regularmente no arquipélago, especialmente nas ilhas da Boa Vista, Maio e Sal.

Cabo Verde constitui o segundo maior ponto de desova das tartarugas Caretta caretta no Atlântico Norte (a Florida, nos EUA, é o primeiro).

As tartarugas marinhas existem há mais de 150 milhões de anos e de cada 1000 que nasce apenas uma consegue chegar à idade adulta.

Por incrível que pareça, as tartarugas vêm, normalmente, desovar na mesma praia onde nasceram.

Depois da primeira postura, regressam de 15 em 15 dias, fazendo cerca de seis desovas por ano. Os ovos de tartaruga eclodem entre 45 a 60 dias depois da postura. A época de desova começa no final de Junho e termina entre Setembro e Outubro. Como coincide com o Verão e as férias, muitos turistas têm curiosidade de observar as tartarugas marinhas.

No Sal e na Boa Vista, existem organizações não-governamentais que oferecem este tipo de serviço. São ONG’s que trabalham directamente com instituições estatais na protecção das tartarugas e que aceitam formar grupos de turistas para observar a desova e também a eclosão dos ovos dos ninhos.

Para o passeio nocturno, use roupas escuras e deixe a lanterna em casa - não são permitidas. Siga sempre as instruções dos guias e não fotografe com flash.

Contactos

No Sal, pode acompanhar os rangers da SOS Tartarugas.

Na Boa Vista, ilha que contribui com mais de 90% de posturas, contacte a Turtle Foundation (+238 9745255) e a Natura 2000 (+238 2511054).

Saiba mais sobre o projecto da conservação das tartarugas marinhas do INDP - Instituito Nacional de Desenvolvimento das Pescas, no blog das tartarugas 

Contactos

Morada
Ilha da Boa Vista

Contactos
Turtle Foundation
Tlf: (+238) 9745255
Email: info@turtlesos.org

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