Céu limpo com poucas nuvens

Terça | 23 Maio

28C

28

22

Descubra o País < voltar

O Farol da Ponta Temerosa

A sua história confunde-se com história da cidade da Praia

04/11/2012 | Fonte: © www.sapo.cv | Cristina Morais

Fotos

Foto: Cristina Morais

Fotos

  • A moto é o meio de transporte do faroleiro Malaquias
  • A meio caminho entre o topo do farol e o rés-do-chão, surge uma varanda
  • As últimas obras aconteceram ainda em 1996, um apoio da cooperação francesa presente no arquipélago
  • Os vidros já não têm o brilho original, mas Malaquias sobe todos os dias cá em cima para limpar as vidraças
  • “Hoje é tudo automático”, conta o faroleiro Malaquias que a luz funciona à base de baterias
  • Há quem aproveite para namorar
  • “Daqui vejo toda a cidade”, diz Malaquias. E de facto a vista é de nos deixar em silêncio por alguns instantes
  • Ao fundo, praia da Prainha, Gamboa, Achada... a capital estendida
  • Daqui vê-se toda a cidade
  • O mar junto ao farol
  • Os ferros do corrimão já estão corroídos pela maresia e os vidros já não têm o brilho original
  • Malaquias sobe todos os dias cá em cima para limpar os vidros
  • À volta do recinto onde fica a lanterna há uma varanda também octogonal
  • Vista do farol
  • Vista do farol
  • Vista do farol
  • Farol D. Maria Pia
  • Vista do farol
  • A meio caminho entre o topo do farol e o rés-do-chão, surge uma varanda
  • A grande escadaria
  • A história do faroleiro Malaquias é a história do Farol da Ponta Temerosa
  • Do lado da janela, uma mesa com alguns documentos antigos, mapas e o código de sinalização
  • Farol D. Maria Pia
  • Farol D. Maria Pia
  • Entrada na torre
  • Vista do farol
  • Farol D.Maria Pia | Santiago
  • No topo do edifício é onde fica a lanterna, que em tempos já foi alimentada por uma botija de petróleo e depois de gás
  • Farol D. Maria Pia
  • O local atrai turistas, “mais de 300 por mês&quot;
  • No recinto do farol, Malaquias plantou uns pés de milho nos canteiros e ainda um coqueiro
  • No recinto do farol, há dois canhões
  • Farol D. Maria Pia
  • Farol D. Maria Pia
  • Os adolescentes que fazem piqueniques ao largo das piscinas naturais que se formam junto ao farol são também visitantes habituais
  • Assente numa torre de alvenaria de secção octogonal, o farol fica situada junto da praia da Prainha, do lado oeste
  • Vista do farol
  • Vista do farol
  • Farol D. Maria Pia
  • Entrada na torre faz-se por uma porta cinzenta de madeira
  • No recinto do farol, há dois canhões
  • O D.Maria Pia foi inaugurado a 13 de Junho de 1881 sendo o primeiro a ser construído no arquipélago de Cabo Verde
  • A história do Farol D. Maria Pia confunde-se com a história da cidade da Praia

A moto é o meio de transporte do faroleiro Malaquias1 de 43

A história do Farol D. Maria Pia confunde-se com a história da cidade da Praia. O início da construção do edifício remonta aos finais do século XIX, mais concretamente, 1880. O D. Maria Pia foi inaugurado a 13 de Junho de 1881 sendo o primeiro a ser construído no arquipélago de Cabo Verde. Na altura escrevia-se “pharol” e deram-lhe o nome D. Maria Pia em homenagem à Rainha de Portugal, esposa do Rei D. Luís.

Assente numa torre de alvenaria de secção octogonal, o farol fica situada junto da praia da Prainha, do lado oeste. Já do lado oposto está a Kebra Canela. Já em frente (sul) o farol está cercado pelo mar e do lado norte encontra-se o seminário de S. José.

A entrada na torre faz-se por uma porta cinzenta de madeira. Lá dentro a decoração é parca e humilde. Do lado da janela, uma mesa com alguns documentos antigos, mapas e o código de sinalização.. Ao fundo umas escadas em caracol levam ao topo do edifício onde fica a lanterna, que em tempos já foi alimentada por uma botija de petróleo e depois de gás. A botija pesava 100 quilos e era transportada periodicamente até ao farol de barco e para depois ser içada para dentro da torre. “Hoje é tudo automático”, conta o faroleiro Malaquias que a luz funciona a base de baterias.

À volta do recinto onde fica a lanterna há uma varanda também octogonal. Os ferros do corrimão já estão corroídos pela maresia e os vidros já não têm o brilho original, mas Malaquias sobe todos os dias cá em cima para limpar as vidraças. “Daqui vejo toda a cidade”, diz. E de facto a vista é de nos deixar em silêncio por alguns instantes. O faroleiro perde-se nas suas memórias e conta como cresceu a cidade. “Ali não havia nada”, explica apontando para o monte onde se vislumbra o Palmarejo. “Não vou para o deserto” e recusou assim um terreno nessa zona porque ali não morava ninguém. Hoje lamenta.

A meio caminho entre o topo do farol e o rés-do-chão, surge uma varanda. “Estiveram aqui uns empresários que disseram que daria um bom cafezinho. Eu também acho”. Actualmente o farol encontra-se em fase de reabilitação, uma iniciativa que conta com o apoio do Rotary Club Maria Pia. As últimas obras aconteceram ainda em 1996, um apoio da cooperação francesa presente no arquipélago.

No recinto do farol, Malaquias plantou uns pés de milho nos canteiros e ainda um coqueiro para alegrarem o espaço. No mesmo local há dois canhões. “Aqui era um forte. Construíram o farol, mas os canhões ficaram. E há mais um”, aponta para as rochas junto ao mar onde se vislumbra um tronco comido pelas águas salgada do Atlântico.

O local atrai turistas, “mais de 300 por mês”, que passam frequentemente pelo farol. Chegam em hiaces ou autocarros turísticos e “fazem muitas perguntas”. Mas Malaquias gosta das visitas. Os adolescentes que fazem piqueniques ao largo das piscinas naturais que se formam junto ao farol são também visitantes habituais.

Malaquias, o guardião do farol

A história do faroleiro Malaquias é a história do Farol da Ponta Temerosa. Aqui educou os filhos, aqui conserta os seus relógios (um passatempo antigo), aqui viu a cidade crescer e multiplicar-se, já que o farol foi o seu lar e posto de trabalho durante 32 anos.

Tem 71 anos mas sobe todos os dias as escadas em caracol até ao topo do farol onde está a lanterna. Antes de ser colocado no D.Maria Pia, trabalhou em São Nicolau, chegou a ser guarda no Campo de Trabalhos de Chão Bom (Tarrafal). O seu destino já passou igualmente pelas roças de S.Tomé. Mas é o Farol D.Maria Pia o seu posto de trabalho mais antigo.

Trabalhando como faroleiro, conseguiu garantir um futuro aos filhos, actualmente “todos funcionários públicos”, diz com orgulho.

O futuro mantém-se incerto. Malaquias já está na idade da reforma mas não consegue abandonar “o seu farol”. “Isto está tudo automático, já não precisam de faroleiros”, confessa com o olhar longínquo. Em tempos morou no farol, numa casinha do faroleiro, hoje em dia vive na Achada S.António.

Contactos

Morada
Praia - Ilha de Santiago

Contactos

Comentários