Céu limpo com poucas nuvens

Quarta | 22 Novembro

29C

29

23

Descubra o País < voltar

Ex–Campo de Concentração do Tarrafal

02/11/2011 | Fonte: Por José Soares, Vereador de Cultura, Desportos e Promoção do Concelho, da Câmara Municipal do Tarrafal

Fotos

Fotos: Hilda Teófilo

Fotos

  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafall
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal
  • Antiga Prisão do Tarrafal

Antiga Prisão do Tarrafal1 de 35

A "Prisão do Tarrafal” foi criada em 1936, pelo Decreto-Lei número 26: 539 de 23 de Abril de 1936, no âmbito da reorganização dos serviços prisionais. Esta prisão foi concebida, dentro da óptica dos diferentes tipos dos estabelecimentos prisionais. Um estabelecimento destinado ao cumprimento de penas, na vertente de prisões especiais, do Decreto-Lei número 26:643 de 28 de Maio de 1936.

Situado na aldeia de Chão Bom, mais concretamente na zona de Achada Grande de Chão Bom.

Podemos dividir a instalação do Campo de Concentração de Tarrafal em duas fases distintas. A primeira fase, correspondente ao período de 1936 a 1938, com a chegada dos primeiros 150 presos antifascistas de diversas profissões: camponeses, operários, soldados, marinheiros das revoltas dos navios Dão, Bartolomeu Dias e Afonso de Albuquerque, estudantes, intelectuais, etc. A segunda fase compreende a época das construções dos primeiros pavilhões de pedra e a chegada do médico Esmeraldo Pais de Prata, até ao seu encerramento em 1954. Na primeira fase, as primeiras instalações do Campo eram tendas de lona sem condições mínimas de habitabilidade e de higiene. Para além disso, nas barracas não havia luz, não havia ventilação, nem nenhuma protecção contra a chuva e o sol. Eram doze barracas de lona com sete metros de comprimento e quatro de largura. Cada barraca tinha a capacidade para alojar doze presos. Essas barracas funcionaram durante dois anos, até à construção dos pavilhões de pedra.

O espaço envolvente ao Campo era limitado por arame farpado em toda a sua volta, de modo a impedir qualquer contacto com o exterior. Pedro Soares descreve a primeira fase da instalação do Campo de Concentração de Tarrafal, “como sendo um rectângulo de arame farpado, exteriormente contornado por uma vala de quarto metros de largura com três de profundidade. Tem duzentos metros de comprimento por cento e cinquenta de largo e está encravado numa planície que o mar limita pelo poente e uma cadeia de montes ao norte, sul e nascente. O único edifício de pedra nesta primeira fase era a cozinha que entretanto não estava completamente construída. Ainda nesta fase, à esquerda da porta principal da entrada do Campo, ficava a secretaria, um barracão de madeira onde se tratava de todos os expedientes administrativos do Campo. O Armazém constituiu também um dos primeiros edifícios construídos em madeira no Campo e ficava um pouco mais distante do portão principal que viria a constituir a futura avenida das acácias.

A segunda fase começa com as primeiras construções de alvenaria e, consequentemente, com a mudança dos reclusos para as novas instalações dentro do perímetro do Talude.

Fora do perímetro do Talude, mas dentro do cerco do arame farpado, existiam alguns edifícios, tais como: a central eléctrica, pequenos edifícios destinados aos sargentos e aos oficiais, a parada da companhia indígena, as casernas dos soldados, e a despensa, que servia para o depósito de material. Do lado esquerdo de quem entrava no Campo, havia três barracas em madeira. Nestas barracas residiam os guardas e num dos topos de uma delas esteve instalada durante muito tempo a farmácia. Ainda do lado esquerdo do Campo existia a Frigideira. Era uma construção em cimento armado que ficava afastada do Campo cerca de 250 metros, ficando situada sobre a margem da ribeira de Chão Bom. Neste quadrilátero de duzentos metros de comprimento e cento e cinquenta de largura, cercado por Talude, encontramos quatro grandes pavilhões de pedra, dois de cada lado do Posto do Socorros.

O Posto de Socorros foi inaugurado em Julho de 1940 e era dividido em duas partes. Uma servia como sala de espera para os reclusos que pretendiam a consulta médica e ao mesmo tempo, sala de espera para a sepultura, ou seja, funcionava como uma verdadeira Morgue do Campo. A outra parte do Posto de Socorros funcionava como o gabinete do médico.

Os pavilhões tinham cerca de trinta metros de comprimento e quinze de largura. O pavilhão A, estava dividido em refeitório e em oficina de latoaria, serralharia e vassouraria. O Pavilhão B estava dividido em cinco casernas. A primeira caserna funcionava como despensa ou depósito das malas dos reclusos, enquanto que as outras, B2, B3, B4, B5, funcionavam como casernas dos reclusos. No Pavilhão C, funcionava a Enfermaria e o depósito dos que estavam à espera da morte. Para além destes dois compartimentos, o Pavilhão C possuía mais três casernas. Por último, o Pavilhão D era constituído por duas grandes casernas, D1 e D2. A D2 servia de Hospital ou a Mitra do Campo. As casernas dos pavilhões B e C tinham capacidades para vinte camas, separadas umas das outras, por trinta centímetros, enquanto que as casernas do pavilhão D, que eram bastante maiores, tinham capacidade para cinquenta camas.

Em cada cama havia uma pequena prateleira na parede que servia para guardar os pratos, os talheres, o sabão e o púcaro, ou seja, servia para guardar os poucos haveres dos reclusos. Para além dos pavilhões de pedra, existiam dentro do Campo, o lavadouro, “a casa de banho”, a barbearia, as oficinas de carpintaria, de sapataria e de alfaiataria. Estas três estavam instaladas em três barracas de madeira. Para além destes edifícios, entre a cozinha e o refeitório, existia um pequeno campo de jogos.

Por José Soares, Vereador de Cultura, Desportos e Promoção do Concelho, da Câmara Municipal do Tarrafal in artigo "Recordar e Contextualizar, Ex – Campo de Concentração do Tarrafal 75 Anos após a sua Abertura - 29 De Outubro de 1936 – 29 de Outubro de 2011"

Contactos

Morada
Aldeia de Chão Bom - Tarrafal - Ilha de Santiago

Contactos

Comentários