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Figueiras: Um “paraíso escondido” no interior da ilha de Santo Antão

É muito procurado por turistas oriundos de várias paragens do mundo.

21/01/2018 | Fonte: www.sapo.cv | Inforpress

A localidade de Figueira é, para muitos, “um paraíso escondido” no interior do concelho da Ribeira Grande de Santo Antão, um sítio muito procurado, sobretudo nesta altura do ano, por turistas oriundos de várias paragens do mundo.

Turistas procedentes, especialmente, do Norte da Europa, nas suas visitas a Santo Antão, à procura do turismo da natureza (caminhas em trilhas), não deixam de passar por Figueiras, zona que, pela sua beleza natural, constitui, por si só, uma grande atração turística.

“Realmente, muitos turistas passam por Figueiras, que é uma das zonas de Santo Antão mais procuradas nesta altura do ano”, informou o presidente da Associação para o Desenvolvimento Integrado de Figueiras, Mário Delgado.

Para o líder comunitário, a zona de Figueiras, com 85 famílias, que vivem, mormente, da agricultura de subsistência, mesmo sem estrada, está a ganhar espaço no panorama do turismo em Santo Antão, informando que o turismo de habitação começa a ser uma fonte de rendimento para muitas pessoas, nessa localidade.

“Quando um turista chega aqui em Figueiras e passa a noite em casa de uma família, é bom, porque é uma forma das pessoas obterem algum rendimento. Isso ajuda muito”, avançou Mário Delgado, acreditando que a luz elétrica 24 horas/dia, que acaba de ser inaugurada nessa localidade, vai, certamente, dar novo impulso ao turismo local.

Mas, há um outro lado de Figueiras, marcado, segundo este responsável, por problemas de vária ordem, desde logo, a falta de uma estrada de acesso, uma infraestrutura que essa comunidade tem vindo a reclamar insistentemente, recordou.

“Sentimos na pele, todos os dias, a falta de uma estrada, sem a qual não há desenvolvimento”, avançou o líder associativo.

Para o jovem Silvério Lizardo, a chegada de luz elétrica 24 horas/dia às Figueiras é “um grande passo” para essa localidade, mas segundo ele, falta ainda resolver o problema de estrada e do sinal da rede móvel.

Através de um carta, entregue ao primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que, esta sexta-feira, esteve em Figueiras, os moradores enumeram uma série de inquietações, de entre as quais, se destacam a falta de uma estrada de acesso e de rede móvel, além do desemprego, da existência de pragas nas culturas e recuperação de habitações.

Segundo Ivanísio da Luz, morador que serviu de porta-voz da população, na entrega da carta reivindicativa ao chefe do Governo e ao edil, Orlando Delgado, Figueiras, além da rede móvel, precisa ainda de sinal da Televisão de Cabo Verde (TCV), mas, também, há que “estudar a possibilidade” de se construir um arrastadouro de botes na zona de Furna de Sal, apelou.

A população de Figueiras querem ainda a elevação da unidade sanitária de base à condição de posto de saúde, segundo Ivanísio da Luz, que pediu ainda uma placa desportiva para os jovens dessa localidade.

“Entregamos de pé esta carta ao primeiro-ministro e ficamos a aguardar, também de pé, uma resposta”, avançou Ivanísio da Luz, dirigindo-se ao primeiro-ministro.

Para o presidente da câmara da Ribeira Grande, Figueiras é, sem dúvidas, uma das localidades com maiores dificuldades em Cabo Verde.

Para se chegar às Figueiras, é preciso percorrer um caminho vicinal, num trajeto que pode durar até duas horas.

Os bens essenciais são transportados no lombo de burros e mulas, o escoamento dos produtos agrícolas faz-se, igualmente através desses animais, enquanto a evacuação de doentes é feita de macas, aos ombros das pessoas.

Quem chega às Figueiras fica, de facto, sensibilizado com o isolamento dessa localidade, disse o autarca Orlando Delgado, que espera trabalhar com o Governo no desencravamento desse povoado.

Em todo ocaso, Fogueiras, segundo o edil, está a desenvolver-se, realçando as intervenções feitas pela edilidade nessa comunidade no domínio de abastecimento de água (todas famílias têm água canalizada), estando na forja outros projetos ligados, essencialmente, à melhoria da habitação e do saneamento.

O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, deixou aos habitantes de Figueiras “uma mensagem de esperança” e anunciou, “para breve”, a chegada do sinal da TCV a esse povoado.

Trata-se, segundo Ulisses Correia e Silva, de “compromisso de imediato” e anunciou a vinda, dentro de pouco tempo, a Santo Antão, do ministro da Cultura e Industrias Criativas, que tutela a Comunicação Social, para trazer os equipamentos que vão permitir às gentes de Figueiras acederem ao sinal da televisão pública.

Outro compromisso assumido pelo chefe do Governo com a população de Figueiras tem a ver com a “melhoria das condições de acessibilidade”, garantindo que o Governo e a Câmara Municipal da Ribeira Grande vão trabalhar juntos na procura de uma solução ao problema de isolamento dessa zona, de grande potencial agrícola e turístico.

“As pessoas têm, de facto, muitas dificuldades em termos de acesso, mas prometo voltar às Figueiras já com uma via mais facilitada”, concluiu o chefe do Executivo.

A visita de Ulisses Correia e Silva às Figueiras marca a segunda deslocação de um chefe do Governo a essa comunidade, depois de o antigo primeiro-ministro, Carlos Veiga, ter ido ao local, nos anos 90.

Para o presidente da câmara da Ribeira Grande, a visita de Ulisses Correia Silva às Figueiras é “um grande momento” para os habitantes dessa localidade que tiveram a oportunidade conversar, diretamente, com o chefe do Governo sobre os seus problemas.

O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, visitou, também, Figueiras, há três anos.


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