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Reencontros com as ilhas

Lugares de contrastes incríveis em perfeita harmonia com a natureza. Para conhecer ou revisitar

21/05/2009 | Fonte: Por Jefferson S. Gomes

Foto: Hilda Teófilo | Montanhas de Santo Antão

As referências turísticas de Cabo Verde são sempre conotadas às praias. Eleva-se-lhes ao estatuto de ex-libris do país da morna, do funaná e da coladeira, com muita razão…mas outros cenários magníficos que poderíamos vivenciar e degustar na terra da Morabeza passam-se-nos, em grande parte das vezes, ao lado.

Cabo Verde é um pequeno país, mas uma grande potência em multiplicidade de experiências. Essas podem ir dos montes às montanhas, dos vales às praias de areia branca, banhadas pelas águas cristalinas do Atlântico, do verde dos campos ao castanho das planícies.

Entretanto, a experiência mais gratificante será a da sua maior riqueza: a sua gente. Gente simples que, apesar das agruras da vida, muito condicionadas pela dureza da natureza dos “dez torrãozinhos di terra”, se mantém firme na busca de um amanhã melhor.

Muito se poderia falar de cada uma das ilhas, mas fica aqui um olhar superficial daquilo que se poderá percepcionar numa viagem pelas ilhas.

Santo Antão, a “ilha das montanhas”

De Norte a Sul, de Barlavento a Sotavento, a nossa viagem começa por Santo Antão, a “ilha das montanhas”, dos vales verdes e do típico grogue da cana-de-açúcar, mas também ilha do contraste entre o verde e o castanho. Ideal para o turismo de montanha e o eco-turismo.

São Vicente, o festival da Baía das Gatas

Seguidamente, partimos em direcção a São Vicente. A viagem de barco dura mais ou menos meia hora. Chegamos à ilha do “Porto Grande”, do carnaval de Cabo Verde, encantamo-nos com a beleza das suas crioulas, a partir da praia da Lajinha ou do festival da Baía das Gatas, e maravilhámo-nos com a noite mindelense ouvindo e dançando uma boa coladeira.

São Nicolau, a terra de "Chiquinho"

De São Vicente vamos à terra de “Chiquinho”, por outras palavras, São Nicolau. Andamos pelas antigas ruas da vila da Ribeira Brava, que nos lembram algures em Lisboa. Seguimos para a vila do Tarrafal, passando pelo verde vale de Fajã (verde e lindo quando chove). No calor do Tarrafal aconselhamos a areia preta do “Barril” para fins terapêuticos e um banho na praia de “Tedja”. Continuamos para a Ribeira Prata ao encontro da “Rotcha Scribida”, dos banhos nos tanques das frescas águas das montanhas para, mais à frente, relaxarmos na zona da Fragata, comendo uma doce e fresca manga.

Sal, a “salgadura que tem doçura”

A viagem continua. Saltamos para o Sal, a “salgadura que tem doçura”, dizem os poetas. Andamos pela vila de Espargos conhecendo os seus cantos e recantos, indecisos se nos dirigimos para Sul (Santa Maria), Este (Pedra de Lume) ou Oeste (Palmeira). Bem, começamos pelo último para nos deliciarmos com uma lapa, um búzio, um caranguejo ou…um polvo na grelha.

Aproveitamos para dar um pulo na Buracona e nos refrescarmos na sua piscina natural. Cruzamos a ilha, passando pela Terra Boa, e chegamos ao vulcão de Pedra de Lume. Apreciamos essa maravilha da natureza e as suas salinas para, seguidamente, assistirmos ao pôr-do-sol no pontão de Santa Maria, enquanto uns e outros se divertem nas suas pranchas de bodyboard e windsurf.

Boa Vista, a ilha das dunas

É aí que nos surge uma boleia de catamaran até à “ilha das dunas”, Boa Vista - terra onde se diz ter nascido a morna.

Com o calor que se faz e já na vila de Sal Rei, optamos por caminhar até uma praia próxima, a de Chave. Divertimo-nos nas suas dunas de areia branca e, ali perto, demos uma volta até ao Rabil, ali ensinaram-nos os truques e segredos do famoso queijo de cabra tradicional. Há ainda tempo para uma rápida viagem ao interior rústico da ilha e à maior praia de Cabo Verde, Santa Mónica.

Maio, a ilha do Porto Inglês

A ilha do Maio, também conhecida como a “ilha do Porto Inglês”, está-nos muito próxima. É uma das com forte potencial turístico de sol, praia e mar, à semelhança do Sal e Boa Vista. Repleta de vestígios históricos que testemunham a passagem dos ingleses, americanos e portugueses pela ilha. Mas é ainda uma das menos tocadas pelo desenvolvimento, o que dificulta a vida das vilas e povoações de uma ponta à outra, da vila do Maio a Pilão Cão, até ao Cascabulho. Mas este facto atribui-lhe um charme terra-a-terra.

Santiago, o berço da nação

A cerca de 23 kms do Maio dista a ilha de Santiago. A maior ilha do país é sede da capital do arquipélago, a cidade da Praia. Santiago é, igualmente, berço da nação cabo-verdiana, nascida na, hoje, conhecida Cidade Velha. Terra do batuque e do funaná com um importante interior agrícola para o país. Viajar pela ilha é viajar por parte importante da história e da cultura do arquipélago da Morabeza. Mas esta longa viagem, em traços muito gerais, só acaba depois de passarmos pelo Fogo e pela Brava.

Fogo e o vulcão

A ilha do Fogo distingue-se pelo seu imponente vulcão, Pico de Fogo. A última erupção aconteceu em 1995, numa ilha também muito dedicada à agricultura e onde se produz um famoso vinho tinto. Dos Mosteiros a São Filipe, numa passagem a Chã das Caldeiras e uma caminhada ao topo do vulcão, fica-se por dentro da majestosa obra da natureza, numa ilha com muitas influências norte-americanas, devido aos seus muitos filhos emigrados.

Brava, pequena e florida

Chegamos a “Dja Braba” ou, ilha Brava. Pequena, com um micro-clima peculiar, fresco e propício para um elemento que a caracteriza e distingue – flores. Sim, Brava é conhecida como a “ilha das flores”. Da sua vila-capital, Nova Sintra, um tanto ou quanto rústico, com evidentes traços arquitectónicos da era colonial, situado num planalto a 450 metros do nível do mar, vislumbra-se uma da mais belas vistas que a natureza nos proporciona no arquipélago, o vulcão do Fogo.

Termina a nossa viagem pelo arquipélago da Morabeza, onde os contrastes se combinam em perfeita harmonia com a natureza.

 

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