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Arquiteto exorta autoridades a preservar um dos sobrados “mais emblemáticos” do Fogo

O sobrado fica na cidade de São Felipe.

24/04/2019 | Fonte: www.sapo.cv | SAPO c/ Inforpress

O arquiteto Manuel Spencer Lopes dos Santos, autor do livro “Conservação do património construído”, exortou, terça-feira, 23, às autoridades a não deixarem cair um dos sobrados “mais emblemáticos” da cidade e em “estado avançado de degradação”.

O arquiteto fez este apelo no final da apresentação da sua obra “Conservação do património construído – manual de boas praticas”, apresentada na cidade de São Filipe pelo professor e ativista cultural Fausto do Rosário, indicando que o sobrado situado a escassos metros do mercado municipal e conhecido como “sobrado Nhô Ubaldo”, é o único que conhece que tem três pisos.

“Quero divulgar esta causa porque é o único sobrado que conheço que tem três pisos, parecer que não existe mais nenhum, e está a década à espera de apoio para ser recuperado”, disse o arquiteto, indicando que a tendência é essa “ou a gente coloca as mãos ou acaba por cair”, sublinhando que  apoiaria qualquer ação do Governo ou da câmara para tentar recuperar a tempo este sobrado que deve acontecer de forma acelerada.

Este reconhece que é um caso delicado devido a técnica de construção, pois a parede, principalmente a externa, demonstra uma réplica da construção que se fazia em Portugal no tempo de Marques de Pombal.

Manuel Spencer Lopes dos Santos, que visitou pela primeira vez a ilha do Fogo e o centro histórico de São Filipe na década de 80 do século passado, e que com o livro pretende apoiar a divulgação de informação para as outras pessoas de modo a poderem passar o testemunho para a juventude, mostrou-se satisfeito com alguns casos de recuperação dos sobrados.

“Há casos de recuperação de muita qualidade, sobretudo ultimamente, e teve a oportunidade de visitar dois casos, que devem ser dados a conhecer, não só pela câmara como pelas escolas, porque o importante é sensibilizar as crianças dos testemunhos que elas vão receber e fazer com que os filhos delas sejam testemunhas para outras gerações”, disse o arquiteto.

Na obra deixa algumas recomendações nomeadamente da urgência em retomar a especialização dos arquitetos nacionais na área do património construído e dotar os gabinetes técnicos municípios dos mesmos, dotar os municípios de sistema eficaz de fiscalização preventiva, criar mecanismos de financiamento que compense os proprietários de património construídos, observando que é sua convicção que é possível construir o futuro sem destruir o passado.

Igualmente deixou o apelo no sentido da criação, pelos municípios do conselho de defesa do património cultural das cidades.

O presidente da Câmara de São Filipe, Jorge Nogueira, por seu lado, reconheceu que não só o sobrado mencionado como vários outros estão em estado avançado de degradação e que “urge uma intervenção”.

Observou que o “grande problema” prende-se com o facto de os sobrados serem propriedades privadas, com vários herdeiros e cuja herança não foi dividida, sendo que muitos dos proprietários estão ausentes há anos do país e os edifícios a cada dia que passa ficam na situação mais ruinosa.

Disse ainda que além de notificar e convidar os proprietários para em conjunto encontrar uma solução, a Câmara Municipal de São Filipe juntamente com o Instituto de Investigação do Património Cultural (IPC), em termos de incentivos, podem apoiar os privados na elaboração dos projetos de arquitetura e de estabilidade para aqueles que pretendem reabilitar, e com isso teriam garantias de que as fachadas serão preservadas.

A autarquia, ajuntou, vai adquirir alguns exemplares da obra para divulgar as boas práticas junto da sociedade, observando que se está no momento de fazer o percurso inverso e há uma sensibilidade neste sentido.

O apresentador da obra, Fausto do Rosário, alem de destacar obra em si, disse tratar-se de um instrumento pedagógico importantíssimo que todos devem ler e divulgar, observando que o conteúdo deveria ser inserido e lecionado na disciplina da cultura cabo-verdiana nas escolas secundárias dada a sua importância para a preservação do património construído.

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