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Biodiversidade: Sónia Araújo pede mais envolvimento da sociedade na preservação ambiental

O apelo foi feito pelo ponto focal da Convenção da Biodiversidade em Cabo Verde

22/05/2017 | Fonte: www.sapo.cv | SAPO c/ Inforpress

O ponto focal da Convenção da Biodiversidade em Cabo Verde, Sónia Araújo, exortou hoje toda a sociedade civil a envolver-se mais na conservação da biodiversidade e a reunir esforços para a preservação do ambiente de que usufrui.

Em declarações à Inforpress no âmbito do Dia Internacional da Biodiversidade, assinalado a 22 de Maio, este ano, sob o lema “Biodiversidade e Turismo Sustentável”, Sónia Araújo disse que Cabo Verde, por fazer parte dos países que ratificaram a Convenção da Biodiversidade, tem deveres a cumprir no sentido de melhorar e preservar a sua diversidade biológica.

Neste sentido, a responsável indicou que Cabo Verde, enquanto país que assinou a referida Convenção em 1995, “tem assumido os seus deveres” na elaboração de relatórios, estratégias e planos de ação, e que no momento o arquipélago “não está em falta” em termos de elaboração desses documentos.

O último elaborado foi o 5º Relatório sobre o Estado da Biodiversidade em 2015 e já foi iniciado o processo para que no próximo ano seja elaborado o sexto, da mesma forma que o primeiro Plano de Ação da Biodiversidade, elaborado em 1999, foi substituído por um novo que tem um horizonte 2014-2030.

“Temos uma biodiversidade grande, tanto marinha como terrestre, e cada vez que consigamos mais envolvimento da sociedade civil, o nosso trabalho é melhor implementado e terá melhores resultados, por isso, o meu apelo é que se engajem mais e não deixem para que outros façam um trabalho da preservação do ambiente que o homem usufrui”, enfatizou.

No entender de Sónia Araújo, a sociedade civil deve manter o ambiente saudável, mas para tal é preciso reunir esforços no trabalho da conservação. Por isso, alerta para o facto de nem todas as pessoas estarem ainda sensibilizadas com a questão e continuarem a destruir o ambiente.

“A sensibilização da população é um trabalho que tem sido feito, arduamente, ao longo dos vários anos, nomeadamente nas escolas, nas comunidades locais e na sociedade civil, em que alertamos sobre a importância de se engajar em grandes campanhas, mas assume que é um trabalho contínuo”, sublinhou.

Cabo Verde tem 47 Áreas Protegidas, de entre as quais 20 são sítios terrestres e 27 são sítios marinhos e costeiros, categorizados em paisagens protegidas, reservas naturais, parque naturais, monumentos naturais e reservas naturais integradas.

O arquipélago é constituído também por uma flora indígena formada por 224 espécies, das quais 85 são endémicas e as restantes são espécies espontâneas naturalizadas, enquanto a fauna indígena engloba espécies de recifes de corais, moluscos, artrópodes (insetos, crustáceos e aracnídeos), peixes, répteis e aves e, provavelmente, algumas espécies de mamíferos marinhos.

Em relação à biodiversidade endémica, Santo Antão é a ilha mais rica (46 espécies), seguida de São Nicolau (44 espécies), Santiago (36 espécies), Fogo (35) e São Vicente (34), sendo que Santiago é a ilha que apresenta a maior taxa de endemismo a nível da fauna.

Sónia Araújo exemplificou a cagarra como uma das espécies endémicas que corre o risco de extinção, mas mostrou-se satisfeita com o trabalho que tem sido feito em Santa Luzia e nos ilhéus Branco e Raso, no sentido de se garantir a sua preservação.

O ponto focal lembrou que o problema é que se apanha a espécie ainda bebé, sem tempo de reproduzir e garantir o equilíbrio, ao contrário do que acontece com outras espécies comercializadas, como a lagosta ou cavala, mas que têm época de preservação, como forma de garantir gerações futuras.

O Dia Internacional da Biodiversidade foi proclamado pelas Nações Unidas a 22 de Maio de 1992, dia em que se adotou o texto final da Convenção da Diversidade Biológica, sendo que em 2016, o lema deste dia mundial da Biodiversidade tinha sido “Integração da Biodiversidade para apoio às populações e aos seus meios de subsistência”.

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