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“Cabo Verde deve apostar num turismo alternativo que não seja apenas de resorts”

A opinião é do geógrafo português Álvaro Domingues.

08/11/2019 | Fonte: www.sapo.cv | SAPO/Inforpress

foto@Inforpress

O geógrafo português Álvaro Domingues disse ontem, dia 7, que Cabo Verde deve apostar num turismo alternativo, que não seja apenas de resorts ou o chamado “tudo incluído” porque “isso não deixa muitas riquezas no país”.

O palestrante, que falava à Inforpress, na Cidade da Praia, à margem do Congresso Internacional do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano, no qual apresentou o tema “Turismo em contexto insular, oportunidades e desafios”, afirmou que as pessoas que investem milhões no país depois desviam para sua terra e seus interesses.

“Com isso, pouco fica em Cabo Verde para além do emprego criado”, precisou, reforçando que dentro do “mundo do turismo” há muitas dimensões que ainda podem ser exploradas em Cabo Verde, apostando em ofertas locais.

Cabo Verde como um Estado insular, analisou, deve aproveitar a diversidade das ilhas para variar as ofertas turísticas.

Salientou, por outro lado, que um país arquipelágico apresenta fragilidades porque no que se refere à circulação dos turistas.

Para Álvaro Domingues um Estado insular não pode “ser concentrado”, mas sim mais presente, contendo estruturas municipais com orçamentos suficientes para fazer as coisas acontecerem.

“O que se conhece de Cabo Verde em termos do turismo é o que se sabe. São resorts, turismo de praia e sol e de grande escala”, sintetizou, reforçando que no país o turismo alternativo é ainda uma “experiência muito embrionária”.

Conforme salientou, é nesta experiência do turismo alternativo que o país deve trabalhar.

“É preciso conhecermos a nossa terra e o nosso povo e sabermos dar aquilo que temos”, sugeriu, salientando que são essas “pequenas coisas” que despertam a curiosidade de um turista.

Segundo o docente da Universidade do Porto, em Portugal, são “coisas simples” como contos tradicionais, gastronomias diferentes, entre outras, que muitas vezes chamam a atenção de um turista, por representar a identidade de um determinado povo.

“Cabo Verde tem uma identidade muito interessante porque é um cruzamento que nunca mais acaba”, demonstrou, reforçando que isso deve ser aproveitado.

O primeiro passo, indicou, é estudar as coisas que já existem e saber se funcionam ou não.

“Há milhares de artigos e livros sobre o turismo, mas isso não é uma receita. Isso é bom para termos ideias e saber como funciona as dinâmicas do setor, mas todas as sociedades e os territórios são diferentes e às vezes as coisas que funcionam num lugar não funciona em outro”, lembrou.

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