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Cidade Velha: Razões para ser Património da Humanidade

A classificação foi atribuída pela UNESCO em 2009.

26/06/2018 | Fonte: www.sapo.cv | Inforpress

A Cidade Velha é, desde há nove anos, património mundial da Humanidade, classificação atribuída pela UNESCO em 2009 e que se baseia no valor excecional universal do sítio considerado o princípio de Cabo Verde.

Quando em 2009 a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) classificou a Cidade Velha como Património Mundial, reconheceu-a como lugar de importância única para o mundo, definindo a necessidade de se preservar o local para conhecimento das gerações futuras.

A decisão teve por base o facto de a Ribeira Grande de Santiago (renomeada Cidade Velha no séc. XVIII) ser a primeira cidade colonial construída por europeus nos trópicos, conservando uma parte do traçado viário primitivo e alguns vestígios dos primeiros tempos da colonização – duas igrejas, uma fortaleza e um pelourinho do séc. XVI.

A fundação da Ribeira Grande marca, de acordo com a UNESCO, uma etapa decisiva na expansão europeia. Entre os séculos XVI e XVIII, a cidade foi uma escala marítima fundamental na colonização portuguesa, por ali passando as principais rotas do comércio marítimo, ligando toda a África à América do Sul, sobretudo, ao Brasil, mas também às Caraíbas.

“É a imagem precoce das visões geopolíticas transcontinentais”, pode ler-se na avaliação da UNESCO disponível na sua página de Internet.

A localização geográfica no meio do Atlântico, mas perto da costa ocidental africana, fez da Cidade Velha uma plataforma essencial no tráfico de escravos. Pela concentração de pessoas com proveniências e ascendências diversas, a Cidade Velha não pode deixar de ser considerada um princípio. Pela primeira vez, num local vazio, juntaram-se europeus e africanos. Na Cidade Velha nasceu a primeira sociedade crioula.

Para a classificação como Património do mundo, a UNESCO teve ainda em conta o facto de ter sido neste local que se ensaiaram novas formas de agricultura colonial. Cabo Verde pode ser considerado um limite – o limite dos trópicos e do clima temperado. Na Cidade Velha fez-se a transição, começando-se, no séc. XVI uma série de aclimatações de culturas que os portugueses introduziriam mais tarde noutros locais.

A classificação como Património da Humanidade foi decidida tendo em conta os testemunhos materiais do papel da Cidade Velha no comércio internacional, associado ao desenvolvimento da colonização europeia de África e da América, mas outros critérios concorreram para a decisão.

Por um lado, a UNESCO considera este um lugar incontornável na experiência pioneira de rentabilização de um território através do tráfico de escravos; por outro, reconhece a Cidade Velha como origem da fusão de culturas que se estenderam depois pelo Atlântico em expressões crioulas diversas conforme se foram adaptando a diferentes contextos coloniais.

A Cidade Velha pode ser, por isso, considerada a união inicial do património imaterial partilhado por África, as Américas e a Europa.



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