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Escalada ao Vulcão do Fogo: Uma aventura emocionante que vale a pena experimentar

Trata-se do ponto mais alto do país com 2829 metros de altitude.

23/10/2018 | Fonte: www.sapo.cv | SAPO c/ Inforpress

Passavam poucos minutos das seis da manhã do dia 21 de outubro, quando três viaturas transportando pouco mais de 40 pessoas se fizeram à estrada, partindo da cidade de São Filipe com destino a Chã das Caldeiras, na ilha do Fogo.

O objetivo comum de todas elas era “escalar o Vulcão do Fogo”, o ponto mais alto de Cabo Verde com os seus 2829 metros de altitude.

O grupo era equilibrado em termos de género, mas heterogéneo quanto à faixa etária, oscilando entre os 10/11 anos (os mais novos eram três crianças de 10 e 11 anos), até perto dos 60 anos, mas o grosso dos participantes era constituído por jovens, muitos dos quais não escondiam a ansiedade de poder escalar o Pico do Fogo pela primeira vez.

Chegado a Chã das Caldeiras, ainda no renascido povoado de Portela após a sua destruição na erupção de 23 de novembro de 2014, nas imediações do novo edifício sede do Parque Natural do Fogo (pré-fabricado), o grupo auscultou com “atenção redobrada” as explicações/recomendações e as informações sobre o percurso disponibilizadas pelos guias turísticos, Paulo Teixeira (áudio) e Nezito Fernandes, respetivamente com 15 e 08 anos de experiência nestas andanças.

Basicamente, as informações eram sobre o percurso, grau de dificuldades (cuidados a ter) e posto isso o grupo pôs-se a caminho com os olhos fixos no cume do Vulcão, que nesse dia estava parcialmente coberto pelo nevoeiro, tendo o primeiro grupo alcançado o cimo depois de duas horas e 50 minutos de escalada, menos uma hora do que os últimos a cumprir o desafio.

Entretanto, antes da partida o guia Paulo Teixeira informa os excursionistas sobre a localização exata do ponto da partida, explicando que o grupo estava a 1700 metros de atitude e que a caminhada até ao topo implicaria subir mais 1180 metros, “já que o desnível entre os pontos era de 1100 metros aproximadamente”.

“A caminhada é feita em três horas e meia, com alguma pausa, pois, trata-se de uma excursão de nível quatro, por isso há algumas zonas onde usamos as mãos para contornar o obstáculo. Como somos um grupo grande, aconselho que desloquemos sempre juntos porque pode haver quedas de pedras e é difícil para quem está muito atrás. O objetivo é que todos alcancem o cimo e por isso deslocamos num ritmo que permite que todos cumpram o objetivo”, explica o guia Paulo Teixeira, realçando que estas informações são transmitidas sempre pelos guias antes de se iniciar a escalada do Pico.

Ainda antes da partida,Teixeira informa aos integrantes da caravana,que quem não estiver em condições de prosseguir a escalada, pode desistir e regressar a Portela, sendo acompanhado por um dos guias, enquanto o outro acompanha o grupo.

Entretanto, em jeito ainda de um último “retoque”,volta a lembrar os integrantes que se trata de uma caminhada com mais ou menos 28 graus de inclinação e sempre a subir todo o tempo.

Uma vez alcançada o topo do Pico, a descida é feita em parte pelo mesmo caminho, mas o guia turístico, Paulo Teixeira, que já perdeu contas das vezes que escalou o Pico durante os 15 anos de profissão, indica que há também um caminho alternativo via a cratera de 2014, mas esse é mais longo e exige mais ou menos umas oito horas, enquanto pelo caminho mais utilizado a excursão é feita num tempo de cinco horas (subida e descida), num total de cerca de 12 quilómetros, aproximadamente.

Em conversa com a Inforpress durante o percurso, o guia explicou que todas as caminhadas a nível da ilha têm uma classificação consoante o grau de dificuldade, estando estruturada em cinco níveis.

O nível cinco, o mais difícil é a escalada na Via Ferrata (Bordeira) onde se utilizaequipamentos para subir, e o nível quatro, o segundo de maior dificuldade, é a escalada ao Vulcão, um percurso com uma inclinação muito forte e com partes onde se utilizam as mãos para transpor os obstáculos.

Desta feita a escalada foi promovida pela agência de viagens Zebra Travel que, no quadro da programação alusiva à comemoração do seu décimo aniversário, pretendeu proporcionar aos seus parceiros e colaboradores a oportunidade para conhecerem um pouco mais a realidade da ilha do Fogo, tendo participadotambém nessa “aventura” algumas pessoas provenientes da ilha de Santiago, segundo informou a sua responsável Luísa Francisca Lopes Jorgensen.

Apesar do nevoeiro que se fazia sentir, a cada metro percorrido, os excursionistas, sobretudo os que faziam o percurso pela primeira vez “deliciavam” com a vista panorâmica de Chã das Caldeiras e de toda a cratera, da Bordeira e do perímetro florestal de Monte Velha e toda a área de cultivo de frutas trópicas (videira, macieira), mas também das plantas endémicas.

Cumprido o objetivo, o sentimento era um misto do cansaço da caminhada e a emoção de estar no ponto mais alto do arquipélago e poder vislumbrar uma paisagem singular, incluindo a cratera do cone principal, com a sua cor amarela-esverdeada, emitindo fumarola, enquanto se inala o forte cheiro de enxofre, mas nem por isso afasta a curiosidade dos excursionistas que a cada momento registavam as imagens para a posterioridade.

Ao mesmo tempo, ninguém esconde a sua satisfação sendo unânimes a afirmar que valeu a pena, soltando um uníssono “obrigado Zebra Travel”!

O Vulcão do Fogo é do tipo estromboliano e sua erupção pode ser com emissão de lavas e/ou também com cinzas, gases e bombas vulcânicas, sendo que em todas as ilhas da Macaronésia é o vulcão mais ativo.

Em 500 anos há registo de 28 erupções, mas nenhuma delas ocorreu na cratera do cone principal, mas sim nos cones secundários, que podem ocorrer dentro da Cadeira, como as duas últimas erupções de 02 de abril de 1995 e 23 de novembro de 2014, ou fora dela.

Os turistas são quem mais escalam o Vulcão do Fogo e há pouco mais de 10 anos registou-se uma particularidade. Um turista de nacionalidade alemã, portador de deficiência visual (cego) escalou o Vulcão acompanhado por dois guias turísticos. Entretanto, há registo de outros portadores de deficiência e de pessoas com idade muito avançada que já escalaram o Pico do Fogo.

Paulo Teixeira, o guia que já perdeu contas das vezes que subiu o Pico do Fogo, disse à Inforpress que a pessoa mais velha que teve a oportunidade de acompanhar até agora tinha 73 anos de idade.

Entretanto, fez um desabafo. Segundo ele, cada vez que um guia escala o Vulcão “sente novas emoções e sensações”.

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