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Ian Boudreault e a eterna alma viajante

Jovem que conhece 137 países passou por Cabo Verde

12/12/2013 | Fonte: www.sapo.cv | Cristina Morais

Cristina Morais | Ian Boudreault já deu 3 voltas ao mundo

Aos 31 anos, Ian Boudreault tem no currículo um número de meter inveja a muita gente – 137. Sim, este viajante já passou por 137 países e completou três voltas ao Mundo. Cabo Verde não podia ficar de fora e o jovem canadense passou uma curta temporada no arquipélago. Desta vez ficou-se pela ilha de Santiago mas a morabeza crioula já lhe aguçou o apetite e Ian promete voltar.


Matar saudades do Brasil em Cabo Verde

Em finais de Novembro estava no Senegal e como “não podia deixar um país de fora”, Ian Boudreault encontrou um voo acessível e comprou um bilhete para Cabo Verde. Tinha apenas uma vaga ideia do que ia encontrar.


“Vou matar as saudades do Brasil indo para Cabo Verde”, disse Ian na rede social Facebook antes de chegar ao arquipélago. E agora diz que constatou que realmente há várias semelhanças com esse país da América do Sul, onde Ian viveu nos últimos anos. “ (Cabo Verde) Parece com o Salvador da Baía”.


Desta vez ficou-se por Santiago, onde Cidade Velha e São Francisco fizeram parte do roteiro. Contudo este turista peculiar promete regressar. “Não posso ficar uma temporada inteira no país. Tens que ver, sentir um pouco a cultura e se for bom você volta quando tiver mais tempo”.


E para este viajante Cabo Verde é “um lugar especial que dá para guardar na lista para voltar”.


Um dos sabores que leva na memória é o café de Cabo Verde. Confessa que é apaixonado por café e é capaz de beber cinco por dia.


Foi também conquistado pelas sonoridades das ilhas. Afirma que a música crioula que teve oportunidade de ouvir ao vivo num dos espaços mais badalados da capital, K, tem uma sonoridade diferente e que lhe faz também lembrar o Brasil. E a música é uma das constantes da sua vida. Ian não vive sem as suas colunas que leva em toda as viagens.


“O mundo é a minha casa”


Este ano decidiu passar o Natal fora de casa. Ian Boudreault é natural do Canadá, Quebec, e confessa que costuma dedicar uma semana por ano à família. Contudo este ano o Natal vai ser passado na Libéria.


Mas afinal como é que este rapaz consegue estar a fazer a sua quarta volta ao mundo e conhecer 137 países? “Há muitas pessoas que acham que sou milionário, mas não. O meu trabalho é na área de marketing e com a Internet posso fazer o meu trabalho em qualquer país.”


Ganha o suficiente para viajar e diz que as despesas que acaba por fazer nos mais variados países do mundo são quase idênticas às de quem vive num só sítio.


Começou as viagens aos 18 anos com idas à Europa. “Há pessoas que gastam o dinheiro para comprar um carro, eu prefiro viajar”.


É engenheiro de formação mas não exerce a profissão porque acredita que não lhe daria a mobilidade que tanto adora.


Quando ultrapassou os 50 países, Ian disse para si mesmo: “Vou começar a contar”. E assim começa a lista que aumenta anualmente tendo em conta que por norma Ian gasta 6 meses por ano em viagens.


E o mundo é a sua casa, diz. “Todo mundo coloca fronteiras…mas para mim o mundo inteiro é meu, me sinto em casa em qualquer lugar”.


Foi colecionando amigos nas mais diversas latitudes. “Tenho amigos no mundo inteiro, no México, no Brasil, na Europa…”.


Não exclui a hipótese de assentar mas para Ian “cada coisa tem seu tempo e seu lugar”. Agora tem 31 anos. Aos 40 ou 50 gostava de viajar de barco…com a família que ainda não tem. “Esta é a minha vida. Uma forma de fazer diferente.”


Todo o país é especial para este canadense mas diz que a sua alma é brasileira. “Tenho muito de Brasil em mim”. Viveu no Brasil durante 7 anos não consecutivos. Sempre com viagens pelo meio.


Para mais tarde recordar

São muitas as histórias que foram sucedendo ao longo deste percurso. Na Tanzânia, acordou com uma girafa a comer em cima da tenda. No Botswana um elefante despertou ao beber água numa piscina.


Na primeira vez que visitou Inglaterra viu a Rainha Isabel II e foi mergulhar nas Honduras e viu uma baleia que estava perdida. “Pura sorte”. Menos sorte teve ao chegar nas ilhas Fiji em pleno golpe de Estado (2006).


Souvenirs, não tem como levar consigo. Afinal uma mala, neste caso mochila, só pode ter 20 kg. “Se comprar uma coisa, tenho que deixar outra”. As suas recordações são as fotos.


Tem um site (http://www.emporiostudio.com/ ) onde guarda estas recordações. Quem quiser pode comprar por um preço de 19,99 € (cerca de 2 contos). O hobby da fotografia não lhe garante o sustento. “É um resumo da minha vida”.


Já lhe propuseram que fizesse exposições. Recusou porque teria de ficar “demasiado tempo num país”.


Enquanto estiver a ler esta reportagem, Ian poderá já estar no país número 139 ou mais. A seguir a Cabo Verde (137), o jovem partiu para Gambia.

Must have

Colunas para ouvir música
Mochila 20 kg
Máquina fotográfica
Telemóvel
Acesso à Internet

Línguas

Inglês / Francês/ Espanhol/ Russo/ Português/ Italiano/ Sueco/ Português

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