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Museu Etnográfico da Praia comemora 20 anos

O apetrechamento com novas tecnologias é o próximo passo.

27/11/2017 | Fonte: www.sapo.cv | SAPO c/ Inforpress

Foto@ Inforpress | Museu Etnográfico da Praia

O Museu Etnográfico da Praia celebra hoje 20 anos de existência e um dos principais desafios é a interação, isto é, o apetrechamento com novas tecnologias, disse hoje à Inforpress o diretor do museu, Adilson Dias.

Em novembro de 1997, a história da vivência das mulheres e homens cabo-verdianos invadiram um edifício do Séc. XIX na rua Pedonal, na Cidade da Praia e das ilhas de Santo Antão, Boa Vista, Santiago e Brava, chegaram um conjunto de peças que deram “corpo” ao museu.

Transcorridos duas décadas de história, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, através do IPC – Instituto do Património Cultural (direção de museologia e museus), em parceria com a Câmara Municipal da Praia, recorda o percurso do museu etnográfico com uma exposição à volta da “Panaria cabo-verdiana: a sua importância e os novos usos” na rua Pedonal.

Em declarações à Inforpress, Adilson Dias explicou que a escolha recaiu sobre pano de terra, por este ser um dos elementos mais marcantes da cultura e da identidade do povo cabo-verdiano e hoje em dia este tem ganhado novos usos em objetos de decoração, acessórios e vestuários.

“Quando o público vier visitar o museu, além do pano de terra vai ver outros elementos da nossa cultura e acaba por fazer um retrato dos 20 anos do museu e, para mostrar que nesses 20 anos já temos um percurso feito e agora precisamos consolidar esse percurso”, afirmou.

O momento, agora, informou, é dar novos passos e fazer com que o museu acompanhe a dinâmica da sociedade, apostando na introdução das novas tecnologias e transformando-o num espaço mais interativo para os visitantes.

Conforme explicou o diretor do Museu Etnográfico da Praia, através de um “tablet”, um jovem ou criança vai ter acesso ao museu e conhecer tudo que está à volta de um objeto, para que quando visitar o espaço físico tenha vontade de regressar.

Ao longo dos anos, muitas pessoas viam o museu como um conceito de um espaço estático, entretanto, segundo disse, com as sucessivas exposições permanente, temporárias e itinerantes conseguiu-se mostrar as pessoas que o museu é “muito mais do que um lugar para expor, mas sim, um espaço de aprendizagem e de lazer”.

Os estudantes são os que mais visitam o museu para complementarem a aprendizagem, seguido dos turistas internacionais e, por fim, a sociedade cabo-verdiana no geral. Neste sentido, um dos grandes desafios da direção é fazer com que o museu esteja dentro do hábito de consumo dos cabo-verdianos, pois entre “ir ao shopping ou ir ao museu, muitos cabo-verdianos optam por ir às compras em vez de apreciar a cultura cabo-verdiana”.

“Temos uma sociedade em que o museu não estava dentro do seu hábito de consumo, por isso, o ministério e o IPC têm apostado fortemente para trazer a sociedade a desfrutar do museu e sentir-se bem nele, pelo que a ideia é fazer com que a sociedade se reveja no museu”, sublinhou.

A celebração dos 20 anos é marcada por uma exposição temporária, com duração de 3-4 meses, sobre “A panaria cabo-verdiana: a sua importância e os novos usos”, que apresenta todo ciclo de confeção do pano de terra, desde as matérias-primas tradicionais, passando pelo tear e culminando com o produto final.

Aliado aos panos tradicionais, os estilistas vão, através de um desfile, apresentar seus novos usos, caso de acessórios de moda e vestuários e de decoração de casa, entre outros.

Ainda vão levar para o Mercado do Platô alguns objetos, para mostrar o que é a etnografia, e para que as pessoas possam ver que tudo aquilo que é produzido acaba por terminar no mercado.

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