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Museus cabo-verdianos visitados quase só por estudantes e turistas

O país dispõe de 22 museus e núcleos museológicos espalhados pelas ilhas.

18/05/2017 | Fonte: www.sapo.cv | Lusa

Cabo Verde tem cerca de duas dezenas de museus, entre públicos e privados, mas falta na sociedade cabo-verdiana a cultura de visita a estes espaços, que são procurados quase exclusivamente por estudantes e turistas.

"São os cabo-verdianos que menos procuram os museus. Não têm essa cultura de procura do museu como espaço de entretenimento e de conhecimento. Ainda usamos muito o nosso tempo livre para ir à loja e a outros locais", disse à agência Lusa a diretora Nacional dos Museus, do Instituto do Património Cultural (IPC), a antropóloga Eugénia Alves.

A responsável falava à agência Lusa a propósito do Dia Internacional dos Museus, que hoje se assinala.

"A maior fatia do nosso público são os estudantes e a seguir os turistas, principalmente na altura dos cruzeiros. Aí temos enchente", acrescentou.

Com 22 museus e núcleos museológicos espalhados pelas ilhas, com exceção da Boavista e Maio, o IPC é responsável pela gestão de oito destes espaços, contando-se entre os mais procurados o Museu Etnográfico da Praia, o Museu da Resistência, no Campo de Concentração do Tarrafal, e o Museu do Mar e o Centro Museológico Cesária Évora, em São Vicente.

Inaugurado em 1997 e reaberto em outubro de 2016, depois de dois anos fechado, o Museu Etnográfico da Praia recebeu nos três últimos meses do ano passado mais de 2500 visitantes, números que Eugénia Alves estima triplicar durante o ano de 2017.


"Temos que desenvolver atividades para trazer gente ao museu", sustentou, considerando "um desafio" sensibilizar e trabalhar com a comunidade para que "ganhe o gosto de visitar o museu".

Por outro lado, acredita Eugénia Alves, o trabalho que está a ser feito com as escolas irá criar, num futuro próximo, "cidadãos mais formados culturalmente" e mais "cientes da importância da preservação do património".

Eugénia Alves entende que, apesar de já existirem museus com dezenas de anos, em Cabo Verde a museologia está ainda numa fase inicial e "com dificuldades imensas".
Falta de recursos humanos e de técnicos especializados, escassez de meios financeiros, falta de guias para acompanhar as visitas e incapacidade de manter os museus abertos fora do horário de trabalho da Administração Pública são algumas das falhas identificadas.

"Os museus não abrem fora do expediente normal da Administração Pública porque para isso tínhamos que ter recursos humanos e pagar horas extras ao pessoal. Não temos como", disse.

A responsável adiantou também que já foi experimentada a abertura ao fim de semana e que as visitas não justificam, embora, admitiu, que a experiência que não foi devidamente publicitada junto do público.

Com espaços museológicos dedicados à pesca, ao artesanato, a tradições musicais como a tabanca ou a personalidades como o poeta Eugénio Tavares ou o líder da independência Amílcar Cabral, Eugénia Alves defende que faz falta um Museu Nacional de Cabo Verde.

"Há um sonho de há muito tempo de criar um Museu Nacional, um espaço onde se conte a história cultural do país de forma global. Um museu desse tipo faz muita falta. Tal como fazem muita falta um Museu da Diáspora e um Museu da Música", disse.

"A música é um dos aspetos culturais cabo-verdianos pelos quais somos mais conhecidos lá fora, temos grandes nomes nessa área que é preciso estudar, investigar e dar a conhecer às gerações mais novas", acrescentou.


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