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Naufrágio: Excursionistas alertam para “inevitável desaparecimento dos vestígios”

O navio norte-americano John Schmeltzer naufragou em Canjana, Porto Novo em 1947

07/05/2018 | Fonte: www.sapo.cv | Inforpress

Um grupo de excursionistas à Praia Formosa/Ponta de Canjana, no litoral do Porto Novo, Santo Antão, local do naufrágio, em 1947, do navio norte-americano John Schmeltzer, alertou, hoje, para” quase inevitável desaparecimento dos vestígios” deste acontecimento histórico.

Este grupo, que esteve, este fim-de-semana, nesse sítio considerado para muitos o “santuário” da história da ilha de Santo Antão, chamou a atenção das autoridades para necessidade de se preservar esse local, sob pena desse acontecimento, que marcou esta ilha no século XX, voltar a cair no esquecimento.

“Os vestígios dessa história ainda lá estão, mas o seu desaparecimento é quase inevitável”, avisou Odair Gomes, guia turístico e um dos excursionistas à Ponta de Canja, onde ocorreu, na madrugada de 25 de Novembro de 1947, o naufrágio do navio da marinha mercante dos Estados Unidos da América (EUA), John Schmeltzer, que vinha da Argentina e a caminho da Suécia, carregado de milho e outros produtos.

Também, o grupo dos voluntários do Porto Novo havia, recentemente, alertado para o “esquecimento e abandono” da localidade Canjana, zona que, no entender desse grupo, é “um património histórico-cultural abandonado e esquecido, ao longo dos tempos”.

Este grupo, segundo o seu responsável, Odair Almeida, defende a reparação e sinalização dos acessos à Canjana, a requalificação e preservação de todo o local e o seu reconhecimento como património nacional, bem como a construção de um memorial no local (replica do navio).

Em Novembro, por ocasião os 70 anos do naufrágio, este facto foi, pela primeira vez, lembrado no Porto Novo, durante uma conferência promovida pela edilidade portonovense, que pretende, juntamente com os outros municípios de Santo Antão, propor ao Governo o reconhecimento de Canjana como património cultural, desta ilha.

Os municípios santantonenses, segundo o edil do Porto Novo, querem trabalhar com o Instituto de Património Cultural (IPC) com vista ao reconhecimento, como património cultural da ilha de Santo Antão, da localidade de Canjana e sua história.

Os municípios procuram a parceria do Governo para a sinalização do percurso terrestre à essa zona e preservação das ruínas das casas e do cemitério construídos, há mais de 70 anos, na zona de Canjana.

John Schmeltzer, que tinha partido do Porto de Rosário, na Argentina, com destino a Gotemburgo (Suécia), acabou por salvar “parte significativa” da população de Santo Antão de morrer à míngua, na sequência da fome que assolou Cabo Verde, em 1947.



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