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Noventa anos depois, mercado da Praia surge com nova imagem

O mercado foi construído em 1924 e requalificado de 2015 a 2016.

08/08/2016 | Fonte: www.sapo.cv|Ângelo Semedo

Fotos

www.sapo.cv | SAPO CV | Ângelo Semedo | Mercado da Praia

Fotos

  • Mercado Municipal da Praia requalificado
  • Entrada principal do mercado da Praia
  • Açougueiro a preparar-se para cortar carne
  • Carne vermelha
  • Novo talho do mercado da Praia
  • Paula Tavares, 40 anos no mercado do Plateau
  • Mulher a vender doces no mercado do Plateau
  • Peixaria
  • Peixeira a pesar peixe
  • Peixe fresco
  • Peixeira
  • Milho de terra
  • Balcões de produtos no mercado de Plateau
  • Comerciantes do mercado do Plateau
  • Caju
  • Imagem do primeiro piso do mercado do Platô
  • Agostinha, uma das vendedeiras mais antigas
  • Beringelas
  • Comerciante a arrumar produtos no balcão de venda
  • Vários tipos de ervas para o chá
  • Vendedeira mostra frutas no seu posto de venda
  • Tabaco
  • Sestas com legumes à venda
  • Jovem rabidante do mercado do Plateau
  • Couves e abóbora
  • Mulher corta melancia para venda
  • Vendeira exibe banana vermelha
  • Maçãs
  • Mulher a vender bananas
  • Erva doce e agrião
  • Vista do segundo piso do mercado do Plateau
  • Vendeira de fruta
  • Frutas diversas
  • Papaia
  • Produtos à venda no mercado do Plateau
  • Mulheres a encherem garrafas com leite de vaca
  • Mulher a vender papaias
  • Escada para o segundo piso do mercado do Plateau
  • Placa da inauguração do edificio do mercado
  • Sacos de feijão no mercado do Plateau
  • Vendedeira a tratar do feijão
  • Turista no mercado do Plateau
  • Cenoura

Mercado Municipal da Praia requalificado1 de 43

Construído em 1924, o mercado municipal da Praia, situado no centro histórico do Plateau, está de cara nova para a alegria das centenas de comerciantes que nesse espaço buscam o seu ganha-pão. “Quem diria que iríamos ter um mercado como este?”, diz uma das vendedeiras mais antigas do mercado, Agostinha Cabral, de 84 anos.

A história do mercado Municipal da Praia, conhecido por mercado do Plateau, começou em 1924, altura em que foi construído. Após mais de noventa anos da sua edificação, o histórico edifício foi submetido a obras de requalificação em setembro de 2015. E em julho deste ano, depois de receber um investimento de 120 milhões de escudos, foi entregue às vendedeiras.

O mercado que é um dos principais pontos turísticos do Plateau, passou a ter melhores condições para venda e de saneamento - com quatro casas para talho e peixaria, dezenas de balcões para venda de frutas e legumes e até um restaurante.

Com as obras de requalificação, o edifício passou a ter dois pisos. No primeiro, estão instaladas a peixaria e o talho, o restaurante e as bancadas para venda de produtos. Já o segundo está reservado à venda de frutas e ervas.

A nível tecnológico, a infra-estrutura passou a ter uma rede de internet sem fio (wireless) para que “cada vendedeira, a partir de um tablet, computador portátil ou um smartphone possa comunicar, gratuitamente, com os seus familiares e amigos”, lê-se no Facebook da Câmara da Praia.

No ato da sua inauguração, 23 de julho, o primeiro-ministro de Cabo Verde e antigo presidente da CMP, Ulisses Correia e Silva, elogiou as condições do actual mercado ao afirmar que está-se “a devolver à cidade da Praia uma infra-estrutura de qualidade, com padrões que se podem encontrar em outros países”.

Os comerciantes e utentes abordados pelo SAPO também mostraram-se satisfeitos com o novo espaço e apelam à sua preservação. Entretanto, dizem que deve haver “ordem e disciplina”.

“Agora a situação está melhor. O mercado está bem organizado. Acho que as condições de venda estão garantidas”, diz a rabidante Maria Filomena de Pina.

Problemas por resolver

São vários os comerciantes que reclamam por não conseguirem ainda um espaço para colocarem os seus produtos. Conforme dizem, antes da requalificação tinham os seus lugares devidamente identificados mas que com requalificação deixaram de ter.

A causa do problema, segundo diz Sara Lima, da comissão de gestão do mercado do Plateau, deve-se ao facto destas vendedeiras não terem feito “as inscrições” para a obtenção do espaço de venda.
 Um outro elemento que está na origem deste impasse é a ocupação de “forma clandestina” de lugares por algumas pessoas, salienta a mesma fonte.

Para a resolução da questão, agentes da comissão de gestão do mercado, bem como a própria presidente substituta da Câmara da Praia, Maria Aleluia Andrade, têm mantido contacto direto com as vendedeiras.

Sara Lima adianta que estão a trabalhar para a colocação de mais balcões, visto que ainda há espaços a serem preenchidos.

Já a presidente da Câmara garante que todas as vendedeiras que vendiam no mercado antes da sua requalificação vão ter de volta o seu local de venda. E que aquelas que nunca operaram nesse espaço vão ser transferidas para um novo local que está ser construído.

Uma vida a vender no mercado do Plateau

Desde a sua criação, o mercado de Plateau tem desempenhado um papel importante na vida de mulheres e chefes de famílias de várias partes da ilha de Santiago.
É o caso de Paula Tavares, 77 anos, e Agostinha Cabral, de 84 anos, duas vendedeiras do interior da ilha de Santiago que comercializam os seus produtos há mais de 40 anos no mercado.

Paula Tavares, da localidade de Renque Purga (Santa Cruz), lembra que começou a vender no local desde o período colonial com 15 anos. Já a Agostinha Cabral, natural de Monte Negro, começou a venda com 16 anos. São das vendedeiras mais antigas do mercado.

Agostinha Cabral admite que nesta aventura diária para o mercado do Plateau em busca de sustento da família tem passado por situações difíceis, mas que mesmo assim tem valido a pena.

Recordam que na altura vinham para a cidade da Praia todos os dias em grupo a pé, com balaio na cabeça e com o burro à frente, porque havia falta de carros para o transporte dos produtos.

“Havia quatro carros que iam para o interior buscar os produtos, mas como eram insuficientes muitas pessoas caminhavam a pé até o mercado da Praia”, diz Paula Tavares.

Esta maratona para capital do país começava "ao cantar do segundo galo" (de madrugada) e terminava de manhã, recorda Paula, que assegura que traziam vários produtos do interior, como “mandioca, batata e banana”.

“Vínhamos para a Praia, porque era mais fácil vender aqui os nossos produtos, já que no interior havia falta de dinheiro”, justifica.

Sobre as condições do mercado naquela altura, Paula Tavares descreve que não havia bancadas para colocação das mercadorias e que por isso os produtos eram arrumados no chão, mas que com o tempo vieram a ser construídas bancadas.

A comerciante recorda ainda que pagavam todos os dias pelo espaço que ocupavam. “No começo, pagávamos dois tostões. Depois, subiu para 15 até chegar a 80 escudos por pedra. Já hoje, paga-se 110 escudos”, explica.

Hoje, passados 40 anos, estas duas senhoras dizem estar satisfeitas com as obras de requalificação.
“Hoje temos todas as condições. Antigamente, vendíamos ao sol e à chuva”, afirma Agostinha Cabral, para depois afirmar: “Quem diria que iríamos ter um mercado como este?”












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