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Presidente do IPC apela a uma maior aposta no turismo cultural em Cabo Verde

Charles Akibodé lamentou o facto do país receber 6000 turistas.

18/04/2017 | Fonte: www.sapo.cv | SAPO c/ Inforpress

O presidente do Instituto do Património Cultural (IPC), Charles Akibodé, apelou hoje à uma maior aposta no turismo cultural em Cabo Verde, um turismo que considera de “inclusivo”, gerador de emprego e que vai combater a pobreza local.

O presidente do IPC falava à imprensa à margem de uma palestra, no Museu Etnográfico da Praia, intitulada “Monumentos Com História: o Museu Etnográfico da Praia”, no âmbito do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios comemorado hoje pelo ICOMOS e a UNESCO.

“Quando se fala de turismo cultural em Cabo Verde, não podemos dizer que estamos bem, porque realmente há uma “aposta forte”, que se calhar é normal, no país no ‘all inclusive’, que são turistas que ficam no Sal e Boa Vista e que não têm realmente nenhum contacto com a população e realidade cultural local”, sustentou.

De acordo com este responsável, a escolha do mote “Património cultural e turismo sustentável” para esta comemoração pelo Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) e da UNESCO, deve-se ao facto de as organizações internacionais estarem a apostar no turismo cultural e sustentável.

Fez saber ainda que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e a ICOMOS estão a apostar de forma “séria e real”, para que a questão do desenvolvimento económico, ou seja, para que a economia do turismo cultural transforme de forma real a economia a nível nacional.

O presidente do IPC lamentou o facto de Cabo Verde receber 6000 turistas, mas que, no entanto, é um número “muito reduzido” que visita a Cidade Velha, considerado Património da Humanidade.

No dizer de Charles Akibodé, com o tema pretendem chamar ainda a atenção para o caso de Cabo Verde, que considera um “lugar extraordinário”, com condições culturais favoráveis a um turismo cultural, permitindo a criação de emprego, a luta contra a pobreza e sobretudo a “dignificação” dos povos.

Informou ainda que há turistas que vêm ao arquipélago que nem sequer sabem o que é cachupa, o grogue, ou seja, não “sabem absolutamente, nada de nada”, considerando que o turismo actual no país “marginaliza o povo local”.

Para reverter a situação actual, avançou que estão a trabalhar com a Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde (EHTCV) e ainda que já têm em curso neste momento em fase de finalização um “guia operacional” que é um “documento orientador”, denominado “22 cadernos para 22 municípios”.

A ideia, segundo explicou, é em cada município capacitar não só os técnicos municipais, mas também universidades, pessoas comuns e comunidades, para que os mesmos possam identificar todos os sítios construídos, os patrimónios imateriais e os bens museológicos, o que vai desembocar na criação de um roteiro cultural baseado na especificidade de cada município.

“É essa especificidade de cada município que vai fazer com que realmente não só, as questões do respeito do património cultural, mas também do desenvolvimento local, vão ser tomadas em devida conta pelos poderes políticos e municipais, que são uma fonte extraordinária de criação de riquezas”, enfatizou.

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