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SA: Estão a ser criadas condições para que ilha assuma condição de destino turístico

A garantia é dos operados turísticos e dos municípios da ilha

26/03/2018 | Fonte: www.sapo.cv | Inforpress

Os operadores e os municípios de Santo Antão dizem acreditar que os projetos em curso ou em carteira vão dar “grande impulso” para que, a médio prazo, a ilha possa assumir, “efetivamente”, a condição de destino turístico.

As câmaras municipais e os próprios empresários, que atuam no ramo turístico, admitem que Santo Antão, apesar do crescimento do turismo, nos últimos anos, não constitui ainda um destino turístico, pelo que urge trabalhar para que a ilha, pelas potencialidades de que dispõe, possa assumir esse estatuto.

Segundo o edil do Porto Novo, Aníbal Fonseca, Santo Antão, apesar das características que possui e das potencialidades que apresenta, “ainda não é, de facto, um destino turístico”, mas disse acreditar que os investimentos, já na fase de implementação, vão contribuir para que, nos próximos anos, esta região se assuma como tal.

Os projetos em curso na ilha, com destaque para Raízes (Redes locais para o turismo sustentável e inclusivo em Santo Antão) e Rota das Aldeias Rurais, podem, segundo os responsáveis municipais, dar esse “grande impulso” ao turismo na ilha, já que consistem, essencialmente, na diversificação e a qualificação da oferta turística.

O projeto Raízes, iniciado há três meses, com cofinanciamento da União Europeia, em 500 mil euros (55 mil contos), vai dar, de facto, “um grande impulso ao turismo em Santo Antão”, acredita Aníbal Fonseca.

Trata-se de um projeto que consiste, sobretudo, no reforço da capacidade dos operadores, associações e quadros através da formação, mas também aposta na promoção das potencialidades turísticas da ilha.

Operadores turísticos têm estado a defender a necessidade de se aposta mais na promoção da ilha de Santo Antão, que tem, a seu ver, condições para ser património natural da humanidade.

A Associação dos Municípios de Santo Antão (AMSA) partilha essa ideia e garante estar a “lutar” para que “a ilha das montanhas” venha, no futuro, a ter o estatuto de património natural da humanidade, acreditando que, “pelo menos, “algumas zonas têm potencial mais do que suficiente” para conseguir esse estatuto.

Fontainhas, que faz parte ‘ranking’ dos 25 sítios mais belos do mundo, Corda, os planaltos Norte Leste e Tarrafal de Monte Trigo têm sido apontados como sendo sítios com potencial para serem certificados como património natural da humanidade.

“Toda a gente que visita Santo Antão fica fascinada com esta pérola que é um património que tem de ser preservado, sublinhou o presidente da AMSA, Orlando Delgado, assegurando que os municípios santantonenses vão continuar a “lutar” para conseguir esse desiderato.

Santo Antão, ou pelo menos, a maior parte desta ilha apresenta requisitos para ser património natural da humanidade, acredita, também, o antropólogo santantonense Alcides Lopes.

Autarcas, agentes culturais, operadores turísticos, empresários e os cidadãos, de uma forma geral, têm estado a defender, nos últimos anos, a necessidade do Governo, conjuntamente com os municípios, avançar junto da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) com a candidatura de Santo Antão a património natural da humanidade.

Alcides Lopes, natural do Porto Novo, licenciado em música e mestre em antropologia, disse acreditar que, pelo menos, uma parte da ilha de Santo Antão tem condições para ser declarada património natural da humanidade, admitindo ter informações de que a própria Unesco concorda com a certificação de algumas zonas de Santo Antão.

Além das vantagens do ponto de vista cultural, esse estatuto teria forte impacto para o turismo, dois sectores que, segundo os operadores, devem andar de mãos dadas, a seu ver.

Apesar dos constrangimentos ainda existentes, em termos dos transportes marítimos e aéreos, mas também do ponto de vista da organização da própria oferta, a procura turística está a crescer em Santo Antão, registando em 2017 um crescimento de 23,8%, face ao ano de 2016.

Mais de 26 mil turistas visitaram Santo Antão em 2017, mais de cinco mil turistas em relação a 2016, um acréscimo que confirma que esta ilha tem sido cada vez mais visitada por turistas, provenientes, maioritariamente, da Europa.

A oferta continua desorganizada e despreparada, quer do ponto de vista institucional, quer a nível macro e micro, revela um estudo sobre o turismo rural em Santo Antão, financiado pela Lux Development (cooperação luxemburguesa), no quadro do programa Emprego e Empregabilidade.

O estudo, a que a Inforpress teve acesso, concluiu que a ilha, pelas suas características morfológicas e económico-sociais, tem potencial para desenvolver “um turismo rural e comunitário de microescala e sustentável”, mas que “necessita de ser sistematizado e qualificado”.

O ‘trekking’ (caminhadas em trilhos à procura de natureza) é, para já, o principal produto turístico da ilha, mas é preciso que se desenvolva as outras componentes desta oferta, que são ainda “bastante limitadas”, apesar de “algum crescimento”.

É o caso da cultura gastronómica e a observação de espécies, além das atividades desportivas complementares, como a escalada e o ‘’ na montanha, a pesca, a observação de cetáceos.

A necessidade de se estabilizar a rede dos transportes para Santo Antão, aumentando, assim, a oferta diária de passageiros entre São Vicente e Porto Novo e a criação de condições de desembarque no Tarrafal de Monte Trigo, uma das principais zonas turísticas de Santo Antão, são outros desafios propostos pelo estudo, apresentado, recentemente, nesta ilha.

A construção do aeroporto e o alargamento do porto do Porto Novo, para que possa receber navios de cruzeiros, constituem outros “projetos cruciais” para que a Santo Antão se assuma, efetivamente, como um destino turístico, segundo os responsáveis na ilha.

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