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Turismo, uma atividade já com retorno em Tarrafal de Monte Trigo

Contudo alguns operadores queixam-se da afetados pela falta de voos diretos da TACV para Mindelo.

18/03/2019 | Fonte: www.sapo.cv | SAPO c/ Inforpress

O Turismo é, assumidamente, uma atividade de futuro e já com retorno em Tarrafal de Monte Trigo, mas João Crisóstomo, operador turístico local, identifica algumas “fraquezas” que ainda afetam o setor e condicionam o seu desenvolvimento.

“A construção de um aeroporto em Santo Antão vai beneficiar, grandemente, o turismo desta ilha e, particularmente, do Tarrafal de Monte Trigo”, garante João Crisóstomo Santos da Luz, proprietário do hotel “Vista Tarrafal”, lamentando a instabilidade da ocupação.

“Estamos na época alta e nem chegamos a meia-casa porque a nossa ocupação depende dos voos e temos vindo a ser afetados pela falta de voos diretos da TACV para São Vicente”, disse aquele operador turístico, reconhecendo, contudo, que há semanas em que estão cheios e outras em que quase não têm gente, dependendo dos voos.

“Temos muitos turistas no Tarrafal mas precisamos de algumas coisas que ainda nos faltam para termos o turismo que queremos”, disse João Crisóstomo que aponta os casos da requalificação da avenida, a construção de casas de banho públicos, a recuperação do caminho vicinal que liga Tarrafal a Monte Trigo, Selada e Tope de Coroa, entre outros, como alguns dos constrangimentos que ainda afetam o turismo do Tarrafal.

Uma das mais-valias que o Tarrafal oferece para o turismo santantonense é a vertente “pesca desportiva” que começa em finais de março e deixa muito dinheiro no Tarrafal, conforme disse João Crisóstomo, defendo a construção de uma pequena infraestrutura de acesso ao mar cuja falta é sentida pelos pescadores locais e pelos turistas da pesca desportiva.

“Trata-se de uma infraestrutura necessária também para os turistas que praticam ‘trakking’ porque vão a pé a Monte Trigo e regressam de bote”, adiantou João Crisóstomo, justificando a necessidade de uma infraestrutura que lhes permita desembarcar em segurança no regresso ao Tarrafal.

“Não, não é impossível construir um pequeno porto”, refila João Crisóstomo, justificando que há outros pontos do país que também fazem “mar brabo” e têm portos como são os casos do Porto Novo, do Tarrafal de São Nicolau ou do Vale de Cavaleiros, na ilha do Fogo.

A falta de pessoal formado em hotelaria no mercado santantonense é uma dificuldade constatada por João Crisóstomo que se disponibiliza para receber estagiários dos cursos de Hotelaria e Turismo e de os contratar, no final do estágio, “se derem conta do recado”.

“Nós tratamos os turistas como membros da nossa família”, disse a mesma fonte, constatando que “dessa forma eles sentem-se em casa e vão daqui satisfeitos com a estadia”, isso porque, para aquele operador turístico, “quem procura Santo Antão quer um turismo de tipo familiar em vez de grandes hotéis”.

Simão Évora é proprietário da Infortur Bar onde presta serviço de informação turística e de alojamento e alimentação na própria residência a que ele dá a designação de “turismo familiar”, contando com dois quartos disponíveis para arrendar a turistas e ele próprio encarrega-se de colocar pessoas noutras casas com espaço disponível para o turismo familiar.

“O turismo tem vindo a contribuir para o desenvolvimento desta localidade”, disse Simão Évora, explicando que se trata de uma atividade que gera emprego e exemplificou com o seu próprio caso já que cria, pelo menos, três empregos diretos.

Franceses e alemães são os turistas que, mais regularmente, procuram o Tarrafal de Monte Trigo, segundo Simão Évora, mas nos últimos tempos tem havido alguma diversificação com a chegada de turistas de outras nacionalidades, “mas os franceses e os alemães são os que predominam”, concluiu.

Operadores de dimensões diferentes, João Crisóstomo Santos da Luz e Simão Évora são unânimes no objetivo de apresentarem um produto de qualidade aos turistas que demandam o Tarrafal de Monte Trigo.

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