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Cultura

As ilhas da saudade

04/11/2012 | Fonte: © www.sapo.cv | Cristina Morais

© Nuno Augusto

“Sodade” ou “saudade” uma palavra única que expressa um sentimento de um povo das ilhas. E foi a saudade que levou o nome destas ilhas para mais longe na voz tão característica de Cesária Évora, a Diva dos pés descalços, falecida em Dezembro de 2011.

E a música é uma das maiores bandeiras deste país insular. Por aqui há morna, há coladeira, há batuque, há funaná, há mazurca, enfim uma diversidade de estilos que variam consoante a ilha.

Mas Cabo Verde é um “brasilin” e uma das maiores semelhanças com o país do samba é mesmo o Carnaval, uma manifestação de cor e coreografias ritmadas, que tem maior expressão nas ilhas de São Vicente, São Nicolau e Santiago.

E se há coisa que crioulo gosta é de uma boa “parodia”(festa). A música não pode faltar para o “badjo fincado”, num rebolar de corpos como só os africanos o sabem fazer. E aqui surge um outro elemento típico da cultura cabo-verdiana – o “pano di terra” que se usa amarrado à cintura e cujo típico padrão preto e branco já existe noutras variantes numa clara demonstração dos novos tempos.

Mas falar de artesanato é falar das bonecas de tranças negras, é falar das casinhas em miniatura feitas a partir da pedra do vulcão do Fogo, é falar dos bindes para fazer o delicioso cuscuz, é falar dos cestos amarelos usados para transportar carga na cabeça, uma quantidade de objectos que simbolizam o quotidiano do típico cabo-verdiano.

Este é um “petit pays” constituído por 10 ilhas (9 habitadas), cada uma com os seus encantos e pratos típicos, mas a cachupa é denominador comum por estas paragens onde o milho é um dos ingredientes mais usados na gastronomia.

O português é língua oficial, mas é o arrastado e ritmado crioulo ou língua crioula, como alguns preferem dizer, nas suas vertentes de Barlavento e Sotavento, que é mais usado no dia-a-dia. E foi o falecido Eugénio Tavares, patrono do Dia Nacional da Cultura, um dos primeiros poetas a escrever na língua materna das ilhas.

Quem por cá passa, leva consigo o sentimento de “sodade”, não fossem estas pérolas perdidas a meio do Oceano Atlântico conhecidas pelo espírito acolhedor do seu povo, porque afinal a “morabeza” é mesmo crioula e só quem visita o país entende o que é.


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