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História

Da descoberta à independência, da independência à actualidade

24/04/2013 | Fonte: © www.sapo.cv | Evandro Delgado

Foto: Hilda Teófilo

Dois períodos marcam a história de Cabo Verde: da descoberta à independência em 1975, e da independência à actualidade.

Segundo rezam as crónicas da época, Cabo Verde foi "achado" pelos portugueses em 1460, pelos navegadores António da Noli, italiano ao serviço da coroa portuguesa, e Diogo Gomes. Mas estudos recentes sugerem que os árabes da costa africana já teriam pisado as ilhas, muito antes dos portugueses.

Dois anos após o "achado", as ilhas começaram a receber os primeiros colonos sendo Santiago e Fogo as primeiras ilhas a serem habitadas. Do cruzamento entre europeus e negros da costa africana, veio a nascer o mestiço.

A expansão das rotas comerciais do comércio de escravos deu um grande impulso no desenvolvimento das ilhas, principalmente de Santiago, importante entreposto comercial esclavagista, devido à sua situação privilegiada, entre África, Europa e Américas.

Dividido em capitanias, a mão-de-obra escrava vinda da vizinha Guiné ajudava no cultivo do algodão e da cana-de-açúcar, principais culturas que a ilha produzia e que serviam de exportação.

A colonização e povoamento foram muito lentos, pois não era fácil convencer os colonos portugueses a irem viver para as ilhas, devido aos rigores do clima que dificultavam o aproveitamento agrícola das ilhas. O povoamento fez-se por fases e hoje em dia é visível em cada ilha os traços da colonização. A presença inglesa em S. Vicente é visível no crioulo da ilha. Em Santo Antão e Fogo encontramos uma forte presença de portugueses, principalmente dos Açores e da Madeira, visível no tom de pele mas também em certas expressões.

Com o incremento do comércio de escravos nos primeiros anos do século XVI, a Ribeira Grande de Santiago Sul, actual Cidade Velha, passou a ser cidade. A sua importância era tal na altura que passou a receber "visitas" de piratas, como o famoso corsário inglês Francis Drake que assaltou a ilha em duas ocasiões: 1578 e 1585, além do pirata francês Jacques Cassard em 1712.

O desenvolvimento do arquipélago foi sendo feito de altos e baixos. Entre 1831 e 1833 uma grande fome assola as ilhas, causando a morte de milhares de pessoas. Cabo Verde teve de se socorrer da ajuda dos EUA, uma vez que Portugal, mergulhado na Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), deixou as ilhas entregue à sua sorte.

No século XIX São Vicente começa a ganhar preponderância, com a exploração do Porto Grande do Mindelo por parte dos ingleses, proporcionado pelo surgimento da navegação a vapor.

As sucessivas vagas de fome que iam assolando as ilhas levaram a que muitos cabo-verdianos procurassem outras paragens, abrindo caminho a um fenómeno caraterístico de Cabo Verde: a emigração.

Com o surgimento dos movimentos independentistas em África a partir de 1950, Cabo Verde juntou-se à Guiné-Bissau na luta pela libertação. Amílcar Cabral, filho de cabo-verdianos e guineenses, funda com outros colegas o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde. Viria a ser assassinado em 1973, dois anos antes da independência. Foi elevado à categoria de herói.

Depois da independência, negociada por Aristides Pereira que viria a ser o primeiro Presidente do país, Cabo Verde viveu num sistema de partido único até 1990, ano que teve lugar as primeiras eleições multipartidárias, ganhas pelo Movimento para a Democracia, que colocou um ponto final em 15 anos de governação do PAICV.

Cabo Verde tem vindo a conquistar o seu espaço na cena política internacional. É visto por várias organizações internacionais como sendo um modelo a seguir em África, sendo frequentemente elogiado por diversos Chefes de Estado. A estabilidade política e o crescimento do país colocam Cabo Verde nos primeiros lugares dos principais índices de desenvolvimento humano.

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